Pensei qual seria o grande drama das novas gerações. Não somos todos histéricos, não fomos condenados ao inferno, não estamos acometidos por uma guerra mundial, não temos lepra, peste bubônica, nem somos bruxos ou loucos. Louco é coisa de luxo. Louco tá com tanto tédio tadinho que nem se importa de tantas indústrias químicas colocarem-no um paletó com etiqueta “doente mental”. Louco com tédio...quem nunca se colocou em roubadas das mais variadas parar de comer, comer muito, só pensar em sexo o dia todo, se embriagar, se embebedar, correr, desesperar, pra não ter tempo pra pensar no no no....tédio! O outro fica tão importante quando a gente fica entediado da própria vida. O outro Sociedade, o outro família, o outro Amor, o outro Amigo.Todo mundo fica enorme e a gente brinca de pequeno polegar. Por falta de projetos e de aposta em si, por se conhecer tão pouco no nosso melhor, pela zona de conforto ter um travesseiro ilusoriamente mais macio brincamos de nos dar mal.
Achei um artigo ótimo falando de falta de auto conhecimento, o temor da angústia que pode nos mover ao invés de nos atrapalhar, se nos tocarmos que não tem problema não saber o que vai ser amanhã, mas podemos construi-lo, o auto enquadramento automático em grupos por medo de tédio e solidão e provocação pela recuperação do nosso autêntico: a verdadeira boa companhia: nós.
Degustem. Um olhar existencial sobre o que inventamos de pegar pra nós: o tédio. Ai ai, que saudade da catapora....
Gisela Gold
Psicoterapeuta na Abordagem Fenomenológico-Existencial
giselagold@terra.com.br