Você já reparou como estão as ruas da cidade onde mora depois do início da propaganda política? Um lixo, certo? A poluição visual causada pelos famigerados santinhos já alcançou um nível intolerável. Mas isso é só o começo. Atrás do seu voto muito mais sujeira esta por vir.
É sujeira para todo lado. Nos canteiros, nas calçadas, fachadas de prédios, postes, caixas de correios, placas, cartazes, bandeiras e faixas em um emaranhado de informações que satura o ambiente e testa a paciência do eleitor.
Nos impressos, de um lado a imagem mentirosa dos candidatos - alguns, décadas mais jovens. Do outro lado, mais mentiras em forma de promessas irrealizáveis. Esse quadro, que se repete a cada dois anos em que se realizam eleições, deixa no eleitor a sensação de estar sendo enganado, na forma e no conteúdo das mensagens das propagandas políticas, que se transformam rapidamente em lixo depois que saem das gráficas.
Diante da avalanche de folhetos, santinhos e jornais de campanha que emporcalham as ruas das cidades, se mostrou inócua a decisão de proibir a veiculação de mensagens em outdoors, desde 2006. Não funcionou como uma forma de inibir o abuso do poder econômico nas campanhas. A única vantagem foi a de tornar evidente o desequilíbrio entre os candidatos. Há os que distribuem seus santinhos a pé e os que fazem circular sua imagem e mensagem, de bicicleta e automóveis.
Os disciplinados outdoors fixos cederam lugar nesta campanha aos ambulantes. As ruas estão tomadas a cada centímetro de placas gigantescas em cavaletes, expondo a face benévola de políticos sorridentes, de bem com a vida, atraindo muito mais a ira do que a atenção do eleitor que se desloca de casa para o trabalho, todos os dias.
Diz a Lei em vigor: “é permitida a publicidade em bens particulares, por faixas, placas, cartazes e pinturas, até o tamanho de quatro metros quadrados”. Não é isso o que se vê. Falta fiscalização. As placas enfileiradas nas calçadas se constituem em desagradável empecilho para o ir e vir das pessoas.
A regra é clara: “é vedada a prática de alguns candidatos que justapõem várias mensagens publicitárias de tamanho permitido, mas que juntas em um mesmo espaço visual caracterizam propaganda ilegal por produzirem o mesmo impacto visual de outdoors”. E daí?
Na verdade o que se vê, além do desrespeito abusivo dos candidatos, é uma sujeira publicitária que emporcalha as cidades. Essas incômodas placas são dispostas quase grudadas umas às outras. E o fato de serem removíveis não impede o ziguezague dos pedestres em busca de mais o que fazer do que ficar parado fitando os caras de pau e suas promessas de paraíso. Trata-se de um verdadeiro assédio publicitário.
Revoltante é ver a propaganda irregular de candidatos que ainda estão no exercício de mandato legislativo. Eles sabem que a Lei proíbe colocar material em postes, sinais de trânsito, viadutos, paradas de ônibus, em árvore e jardins públicos, mas uma simples voltinha nas ruas principais de um bairro qualquer, constata-se a contravenção.
Agentes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já estão recolhendo placas colocadas irregularmente nos canteiros centrais das vias, que atrapalham os pedestres. Nunca esteve tão fácil punir os infratores. Está claro, para quem quiser ver, que os maiores contraventores são justamente aqueles com maior capacidade financeira, exatamente o que abusa do poder econômico e, portanto, não merece um mandato legislativo.
Pense nisso eleitor. Enquanto os candidatos sujam as ruas, deixando as cidades feias, nós, eleitores, podemos nas urnas promover uma faxina nas Casas de Leis que alguns candidatos ocupam e outros pretendem ocupar.
DENGUE
Em ano de eleição, os candidatos ignoram temas da maior importância quanto o avanço da dengue no país e, em especial, no Estado do Rio de Janeiro. Os municípios do Interior se transformaram em abrigo do mosquito da dengue e seus prefeitos não estão nem ai. Ou melhor: estão de cabeça na campanha de candidatos que estiveram em seus palanques há dois anos. Sobre o tema, abro espaço para o que diz no artigo “Tsunami da dengue é ameaça ao desenvolvimento do Brasil”, o médico infectologista, assistente-doutor da Divisão de Moléstias da USP, Evaldo Stanislau Affonso de Araújo.
Infecciosas e Parasitárias do HC-FMUSP.
MORRER DE DENGUE POR
FALHAS ESTRUTURAIS TÃO
BÁSICAS COMO A FALTA DE
ALERTA É INACEITÁVEL
“A expressão "tsunami" remete a um fenômeno natural súbito e devastador. Essa expressão foi recentemente empregada em uma reunião de experts discutindo dengue. O organismo infectado passa por um "tsunami" imunológico que resulta em várias apresentações clínicas, mais ou menos graves. Acredito que o termo se aplique também aos aspectos clínicos da epidemia de dengue do ano de 2010. De forma súbita e devastadora, o sistema de Saúde se viu diante de um enorme número de casos da doença, sendo a rubrica da gravidade um denominador comum”.
“As mortes, infelizmente, ocorreram. E aí enfrentamos outro problema. Os pacientes com suas manifestações polimórficas não "cabiam" na classificação oficial. Houve forte debate se seriam casos de dengue hemorrágica. A conclusão é que o termo "hemorrágico" induz a erro”.
“Sabiamente a partir de 2011 a OMS adotará uma nova classificação que contempla apenas dengue e dengue com sinais de gravidade. E sinais de gravidade não faltaram... Só em um hospital privado da Baixada Santista foram registrados 349 casos de dengue grave com sinais de elevada permeabilidade vascular e contagem de plaquetas baixa: dengue hemorrágica”.
“É um termo forte. Porém, mais forte do que o termo é o fato de ainda termos mortes por dengue, mormente em regiões que são cruciais para o desenvolvimento econômico, como na Baixada Santista, sede do Pré-Sal e do maior porto da América Latina”.
“Portanto, a dengue extrapola os aspectos médicos e, ante forte movimento migratório, constitui uma ameaça real ao pleno desenvolvimento econômico do Brasil”.
“O tsunami, a exemplo da dengue, é previsível. Os alertas devem ser interpretados corretamente. Medidas de controle do vetor continuam essenciais. Mas as lições deste ano apontam para a utilização eficiente da rede de assistência para evitar mortes. Assim, medidas simples -como realizar um hemograma e a efetiva hidratação, que já pode começar em casa- aliadas à adoção de testes de diagnose rápida e à desburocratização da notificação e diagnose devem ser medidas prioritárias”.
“A tudo, aliar-se a noção de que a dengue está onipresente no Brasil, anos mais agressiva, outros menos agressiva, mas sempre potencialmente letã”.
TÁ FEIA A COISA
Mesmo com o apoio de lideranças de peso da região Sul Fluminense, a situação do deputado federal e candidato à reeleição Deley (PSC) não está nada confortável. Deley precisa de uma quantidade enorme de votos para assegurar a sua cadeira no Congresso Nacional. O fantasma da derrota explica a licença de 15 dias que o seu padrinho político e prefeito de Volta Redondo, Antonio Neto, tirou. Com o peso de Neto nas ruas de Volta Redondo, Deley pode voltar a sonhar com a vida mansa de Brasília.
40 na cabeça
O ex-jogador Romário e candidato a deputado federal pelo PSB (4011), passou como um tsunami por Resende e Itatiaia, fortalecendo ainda mais o partido na região. O vereador e candidato a deputado estadual pelo PSB, Dr. Julianelli, assumiu junto ao eleitor da região lugar de titular na dobradinha com o ex-atleta. A região das Agulhas Negras também aguarda a visita de outros dois candidatos a deputado federal pelo PSB, Alexandre Cardoso (4040) e do jovem Glauber (4080), representante da juventude socialista. Segundo o presidente do PSB de Resende, o popular PC, depois que o tsunami socialista passar pela região, “só vai dar 40 na cabeça”.
DE OLHO EM ITATIAIA
Viação Resendense – Promessa é dívida. O prefeito de Itatiaia, Luis Carlos Ypê (PP), prometeu que os ônibus da viação Resendense passariam a trafegar pelas ruas do bairro Jardim Itatiaia, atendendo os anseios dos moradores do bairro. Mas não é isso que está acontecendo. A viação Resendense não tem cumprido a sua parte no trato com o prefeito Ypê. E a população paga o pato. Bem que o prefeito podia dar um tempo como cabo eleitoral do Deley e apertar a Viação Resendense. Depois não reclama. Se ônibus não passar pelo Jardim Itatiaia, vai ficar difícil pedir voto nmo bairro para o Deley.
Não é a Bené - Placas com propaganda da ex-senadora e candidata à deputada federal pelo PT, Benedita da Silva, estão sendo colocadas em vários pontos de Itatiaia. Uma delas foi observada detidamente do alto da passarela sobre a Rodovia Presidente Dutra por uma senhora, que depois fez o seguinte comentário: “Aquela não é a Bené nem aqui nem na China”. Na verdade a foto usada na placa está longe de ser a Bené dos dias de hoje.
Divisão – Os candidatos do PT que garimpam votos em Itatiaia estão enfrentando dificuldades. É que o partido está dividido no município, em função do rompimento com o prefeito Ypê. Apesar disso, a deputada petista Cida Diogo, agora candidata a deputada estadual (13313), vem conquistando o coração e as mentes dos simpatizantes do partido na cidade. Há um motivo para isso. É que a deputada Cida Diogo durante o seu mandato de deputada federal se dedicou à questão da saúde, uma área do serviço público que não vai bem em de Itatiaia. Agora como deputada estadual, a saúde continuará sendo uma bandeira da deputada Cida Diogo, que conhece de perto a realidade da região Sul Fluminense. A saúde em Itatiaia certamente ganhará uma parceira na Assembléia Legislativa.
Com Karla Fonseca e Fernanda Leal