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Muita gente acha absurdo uma bolha especulativa como a do mercado de hipotecas de segunda classe (o chamado sub-prime), abalar a solvência de gigantes bancos multinacionais e os fundamentos da economia dos Estados Unidos, atingindo por tabela, o ritmo de crescimento das principais economias mundiais e respingando no Brasil. Pois, vale lembrar a maior de todas as bolhas especulativas que, de tempos em tempos fazem a fortuna de poucos e a desgraça de milhares: a Tulipamania, a especulação com bulbos no Mercado de Tulipas da Holanda, de 1630).

Com a forte circulação de ouro, prata e pedras preciosas vindas das colônias, as tulipas tornaram-se valorizadissimas na Europa. Especuladores (pessoas que pressentem boa oportunidade de ganhar dinheiro), trataram de negociar os bulbos das plantas colhidas no outono, para plantar na primavera, pós-inverno. A febre da valorização dos bulbos nos primeiros dois anos, contagiou banqueiros, comerciantes e a classe média emergente, ávida por boas oportunidades de lucros. Para que essa espécie de corrente fosse mantida, com a sucessiva valorização dos bulbos que já atingiam preços astronômicos, seria preciso ampliar o mercado consumidor de tulipas, incluindo a própria classe média. O que aconteceu em 2007 e que começa a aparecer nos balanços dos maiores bancos do mundo é algo como a ruína da engrenagem especulativa com os bulbos ou como o encilhamento do começo do século passado no Brasil.

No encilhamento, após o fim da escravidão, os capitalistas brasileiros apostaram em massa nos empreendimentos. Novas sociedades por ações surgiam da noite para o dia, com projetos tão mirabolantes quanto construir uma ferrovia ligando o Rio de Janeiro a Parati. Nem bem 10% do capital eram subscritos, vendiam-se as ações e a roda da fortuna fazia novos milionários. Urbanização de Vila Isabel e Grajaú; linhas de bondes ligando São Cristóvão a esses novos bairros, tudo era motivo de novos empreendimentos, cacifados via subscrição de ações. Políticos, comerciantes, militares e a classe média foram atraídos para a jogatina. O que alimentava os sonhos era uma liquidez frouxa. Entre 1890 e 1891, os meios de pagamento cresceram 75%. Ruy Barbosa, Ministro da Fazenda, pressentindo o desastre, logo criou uma Lei Bancária com restrições à alavancagem nos créditos e exigiu: as ações só poderiam ser vendidas (ter curso na Bolsa, na atual rotunda do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio) após integralizados 20% do capital. Como a febre continuasse, Ruy fez novas exigências, elevando para 30% de subscrição do capital a exigência mínima para liberar a circulação as ações no mercado secundário (Bolsa).

Aí o tumor explodiu e fez uma das grandes vítimas: micou a mega emissão das ações da Leopoldina Railway, do escocês Henry Lowndes. Excêntrico, dono de companhias de navegação na Amazônia, empresas e estradas de ferro, Lowndes, que morou na África do Sul, exibia-se pela capital federal (para inveja dos milionários que circulavam com coches puxados por parelhas de cavalos negros ou brancos) com sua carruagem puxada por duas parelhas de lustrosas zebras, trazidas da África. Curiosamente, na mesma época, o Barão de Drumond, urbanizador de Vila Isabel, do Grajaú e da Companhia Carris, que levou o bonde até a região, mediante recursos captados via emissão de ações, criou a loteria do Jardim Zoológico que logo se popularizou como o famoso jogo do bicho. A zebra, por sinal, não constava dos grupos de animais. Mas teria sido o estouro da bolha especulativa de Henry Lonwdes que gerou a expressão em resposta à pergunta: Que bicho que deu? Deu zebra!

O fato é que os militares, atraídos com atraso pelas oportunidades da bolsa, irritados com as perdas na jogatina, forçaram o Presidente, Marechal Floriano Peixoto, a derrubar Ruy Barbosa e a proibir a proliferação de emissões de capital, com a draconiania lei que restringiu as emissões de ações até 1967, quando surgiu (também sob governo militar) a nova Lei do Merca

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