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Casamenteira
15/9/2008
Era uma mulher de casamentos. Dez anos comprando pão e queijo minas com Seu Manoel, mais oito colhendo dicas com a Maria da locadora, uns quinze com a Betina cozinhando para a família e mais vinte gritando em jogo do Flamengo. Ai do mundo se quebrasse alguma regra sem avisa-la previamente. Que enviasse uma mensagem de texto, ligasse a cobrar.

Mas mudou. Há cinco, escolheu a mesma calçada do homem de sua vida. Como soube que era esse tipo de homem? Ele ousou mudar o roteiro do mundo. Do seu mundo. Do mundo que se contava pelos olhos de menina que era fiel a seus hábitos na alegria, na tristeza, na saúde e na doença.

Resolveu dar um crédito. Bem verdade, tentou ignora-lo. Deu um passo para
frente e o coração ameaçou seguir viagem com o rapaz. Quebrou a regra e junto levou embora uma pedra no rim. A relação ganhou gosto de torta de vó quentinha. Desejaram pôr um rebento na vida.

Achou que estava curada do casamento com os hábitos. Coisa nenhuma. Mais uma vez quis brincar de regra. Foi tentar fazer o papel de Deus, desenhando o jeito do moço vir pra vida.

Mudaram o roteiro do mundo. Pião girou, o feto veio diferente. Coitada. Ficou de coadjuvante. Não levou nem menção honrosa. Saiu pior que o figurino.

Moça viu em lágrimas que o moço não queria ser a bainha de seu vestido.
Queria era rabiscar seu próprio roteiro. E em seu dicionário ainda não cabia
nem a palavra "hábito", muito menos "casamento".

Que o moço veio foi d´outro jeito. De um jeito não escrito em seu caderno.
Talvez escrito nas estrelas. E elas só brilham se vistas com olhos de
surpresa. E só tem surpresa quem ainda não previu que elas estão lá.

Agência Rio de Notícias© 2008