-Desculpe a intromissão, mas você muda minha imagem do mundo masculino. Nunca vi um homem demorar tanto tempo para escrever uma carta de amor. -Como... - Não pude deixar de notar, você apaga, escreve, apaga e escreve para alguém imagino. Trata-se de uma carta de amor, não... -Bem, já que você se intrometeu, também não pude deixar de notar que você acaba de sair de um telefonema de amor. Uma desilusão, imagino. - Difícil aceitar o amor. Amor é coisa suave, serve não; preciso de coisa que arde. Preciso de paixão. - Olha, quando experimentei o amor, confesso,tive repulsa. Até perceber que ter alguém se preocupando realmente comigo e cuidando de mim era coisa nova, era coisa estranha e eu não queria porque estava desacostumado. A paixão te deixa todo no outro e você se esquece por aí. Ainda lembra seu endereço... - Não me lembro, estou assinando o endereço do outro. - Tenta aí dentro. Experimente-se. - Obrigada,prazer. - Prazer é todo meu. E a poesia, toda sua. Por giselagold@terra.com.br www.giselagold.com |