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09/07/2009 10:47:57
RED
Vida de menina
14/06/2010

Em 1942, a moça  de nome Anne Frank  ainda podia ser menina. Tanta coisa por dentro fervilhando. Aos treze ninguém sabe o que é ser morno. Em tempos de guerra, sabia-se judia numa Holanda invadida pelos nazistas. Naquele tempo sem blogs, menina vestia a vida num diário. Tão menina já brincando de ser gente grande ao conhecer de perto a possibilidade da morte lá fora. Lá fora do esconderijo secreto onde conviveu com mais oito atrás de uma estante de livros por ano e meio. Diante da guerra, sua alma não deixou de viver cada sabor dos treze.

Até as seis da tarde experimentou o silêncio como garantia de sobrevivência. No entardecer, o sobreviver  tirou o sobretudo e a moça pôde viver sua vida de menina.

Entre quatro paredes, não perguntava a ninguém o que devia falar , fazer ou pensar. Imaginava...

Experimentou tudo o que imaginou. Um amigo acariciando suas mãos. O primeiro salto alto. A boca ganhando o primeiro contorno vermelho de um batom. A espuma da fantasia do primeiro beijo. Do primeiro olhar malicioso. Frenesi. Um prato novo de nome amor. Garganta seca, olhos abrilhantados. Vontades. Desejos. Coragem. Apetite . A dificuldade diante da mãe desde que o mundo é mundo. Novidade. Comer a vida com pedaços generosos. Iguarias da vida de moça que experimentou ser menina antes de virar mulher. Queria ser escritora. E foi, Anne!

Bom ter lido seu diário e ter visto que mesmo que a morte pudesse chegar a qualquer instante, a menina Anne em minuto qualquer deixou-se  em banho maria. Tomara as moças de treze em 2010 possam experimentar o gosto de ser menina. Com tantas mudanças ortográficas, tomara, no dicionário afetivo de algumas, amor e imaginação ainda venham antes do sexo.

 
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