Parece que finalmente vamos ter a Baía de Guanabara parcialmente limpa das carcaças de velhas embarcações ali abandonadas e que há muito anos a poluem, inclusive visualmente, além de atrapalharem o tráfego naval e servirem para o tráfico. O trabalho desenvolvido pelas Secretarias estaduais do Ambiente e de Transportes deve durar cerca de três meses
São nada menos que 50 embarcações abandonadas - sendo que 20 já identificadas - além de 15 carcaças. Embora a Secretaria do Ambiente tenha informado que as embarcações (identificadas) já tenham sido vistoriadas, teme-se que outras 30 estejam ali por arresto de tribunais trabalhistas. São ações que se arrastam por anos, sem solução, mas que acabam por garantir interesses de quadrilhas que atuam nas águas da Guanabara.
Isso significa que após os três meses a baía estará mais limpa, mas ainda não estará livre do problema criado com as embarcações que ali continuarão abandonadas e servindo aos traficantes. E este é um problema de difícil solução. Como impedir que advogados deixem de lançar mão do arresto de embarcações? É provável que elas não tenham o valor estimado nas ações. Mas são bens de empresas que podem e são usados como garantias para cobrirem passivos trabalhistas.
Poderia o Estado lançar mão de processos jurídicos para reverter o quadro? Não nos parece uma tarefa fácil. Talvez fosse o caso de buscar alternativas de garantias trabalhistas em outros bens das empresas processadas. Mas esta seria uma missão quase impossível. Infelizmente teremos que esperar ainda muitos anos para que um dia, quem sabe, possamos ter a Baía de Guanabara efetivamente livre das embarcações que a emporcalham, em todos os sentidos.
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