Caro Rafael, Foi com muito pesar que recebi a triste notícia do falecimento de seu estimado pai, o inesquecível e afetuoso Herval da Silva Faria. E desde aquele momento, me vejo envolto de excelentes recordações de um passado, que para minha sorte, pude vivenciar ao lado da família Silva Faria. Tais lembranças começaram a invadir minha memória, mais ou menos em ordem cronológica … E como esquecer daquele que me conduziu com maestria e simpatia, a me tornar um feliz torcedor do Clube de Regatas Vasco da Gama ? Dizia ele quase todas as vezes que eu ia brincar na sua casa na Luis Cantanhede nº 214 - “Ô vascaíno, hoje eu vi uma bandeira do Vasco em cima do telhado do seu prédio. Só pode ser sua, não ? E quantos brindes do Vascão ele cansou de me presentear … Não sei se te lembras, mas algumas vezes fomos ao Maracanã juntos, acredito que bem no início da década de oitenta. E acredite se quiser, tenho um tio aqui em Brasília (já com seus 80 anos) que volta e meia me faz a seguinte pergunta - “ … mas a propósito, como é que você virou vascaíno ?”, e indubitavelmente me lembro de quem ? Bom, das brincadeiras no Rio de Janeiro ainda pequenos, me volto agora para os tempos de Teresópolis, quando quase que todo o final de semana subíamos para “Terê” com o Seu Herval ao volante e suas agradáveis histórias ... E na volta para o Rio era sempre ouvindo um jogo do Vascão; aí ele ficava compenetrado. São inúmeras as recordações, Rafael, daquele tempo que infelizmente jamais retornará, mas que como já disse, para minha sorte, guardo com carinho as seguintes vivências/lembranças: Luis Cantanhede nr. 214 apto 201 (se não me falha a memória), Snoopy, Passat azul com cheiro de leite derramado que azedou (lembra ? mas mesmo assim subimos para Terê), MPB, lareira e Ping e Pong com a família reunida na casa da Rua Paquequer em Teresópolis, Livraria Ponto de Encontro no cinema do centro de Terê (Seu Herval sempre almejando e defendendo disseminar a cultura, pelo menos localmente), e outras mais ... Note que essas lembranças remetem sempre à presença de seu estimado pai. É, a vida seguiu, e ele com toda a certeza cumpriu sua missão terrena com nota máxima. Deus está feliz ! E aqui faço um pedido, como um ato de gratidão. Que todos aqueles que como eu, tiveram a grata satisfação de conhecê-lo, que por favor, sigam seus probos e escorreitos exemplos de profissionalismo, amor à cultura e dedicação aos familiares. Agora o "bom vascaíno" se juntou aos seus saudosos pais, e quem sabe poderá até estar "batendo um bom papo" e tomando aquele "whiskynho" on the rocks, com o "vascaíno" botafoguense Dr. Luis Fernando Cazar Zaldumbide, aquele que igualmente me trás gratas e infinitas recordações. Rafael, finalizando digo que não é a extensão o que eterniza uma vida, mas sim sua intensidade. Fiquemos tranquilos, pois nossos pais estão eternizados pela intensidade com que corresponderam à maior graça de Deus: A vida. Meus sinceros sentimentos. Um grande e saudoso abraço a todos os seus familiares e minhas condolências à sua mãe Dona Leda. Atenciosamente,
Luiz Fernando Ebert Cazar, ou simplesmente Gui |