João Baptista Denis Neto, mais conhecido como Jobanito, pois é assim que ele se assina no “Diário de Jacareí” ( SP ), autor que é da “Crônica do Cotidiano”, explica, num longo e-mail que me envia, que, em sua casa, ninguém pratica o espiritismo,sendo todos presbiterianos. Isto porque, o que me conta, parece sobrenatural. Ou, pelo menos, difícil de ser explicado. O fato aconteceu no dia 16 de novembro de 1976. João estava na redação do jornal, quando o telefone tocou. Eram nove horas da manhã e chamavam de sua casa. Devia ir até lá com urgência, pois algo anormal acontecera. A explicação, dita às pressas, pouco esclarecia: -O Chevette funcionou sozinho ! O carro, um Chevette 73, placa XB-34-40, pertencia ao filho do jornalista, João Victor, na época com 21 anos de idade, funcionário do C.T.A. e estudante de engenharia. O rapaz havia guardado o carro na garagem às 11 horas da noite do dia anterior e fora dormir. Agora, chegando em casa às carreiras, João Baptista ficou sabendo que o motor do Chevette, sem ninguém dentro do carro, funcionara normalmente, assustando todos os que se encontravam próximo a ele. Em frente ao Chevette, com o neto Rodrigo Ricieri ao colo – naquele tempo com quatro meses de idade -, a esposa do jornalista, Dona Daziza, conversava com o outro filho, Eduardo Augusto, de 19 anos, estudante de jornalismo da “Braz Cubas”, de Mogi das Cruzes, que estava com a perna esquerda engessada. O moço se acidentara recentemente, quando dirigia uma motocicleta. Encontravam-se presentes, também, a empregada da casa, Edna, de 18 anos e Dona Norma, mãe de Rodrigo. “Estou lhe enviando todos esses dados para não pensar que sou um mentiroso”, desculpa-se João Baptista. -Dirigindo-se à doméstica, Dona Daziza pediu: -Vá acordar o João Victor, Edna. Diga a ele pra empurrar o carro até a rua e só ligar o motor quando já estiver fora, para o barulho não assustar o Rodrigo e não poluir ainda mais o ambiente. Nem bem ela acabara de dar essas instruções e ouviu-se o barulho característico do motor do Chevette em funcionamento. E o que era mais estranho, “alguém” o estava acelerando. O carro, no entanto, estava vazio e totalmente fechado. Apavorada, Dona Aziza pediu que fossem correndo chamar o filho João Victor, que estava dormindo. Este apareceu logo depois, abriu a porta do Chevette e colocou a chave na ignição. Só assim foi possível desligar o motor ! Logo logo juntaram-se vários “entendidos”, não só para examinar o automóvel, como para procurar uma explicação plausível para o fato misterioso. Não havia, entretanto, nada de anormal com o Chevette. Mais tarde, ouvidos alguns técnicos, estes lembraram que é muito difícil, mas não impossível, o fato do bendix ter enguiçado e, devido ao empurrão, ligado o motor. Quanto a acelerá-lo, nenhum deles soube explicar...
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