Entra ano, sai ano, e o mosquito da dengue não abandona o noticiário, especialmente durante o verão. A imprensa cumpre o seu papel, colocando o dedo na ferida, que tanto incomoda as autoridades omissas, mas doe mesmo é na pele do cidadão, que paga seus impostos para não viver este drama, presente nas casas de boa parte dos brasileiros. Duvido muito que a maioria dos prefeitos que deixam seus cargos este ano, os que continuarão e até mesmo os que assumirão em janeiro do próximo ano tenham noção da dimensão desta epidemia que se espalha, sem freios, por todos os cantos do Brasil. Afinal, neste exato momento os prefeitos derrotados nas urnas estão mais preocupados com a prestação de contas do seu governo e em encontrar uma brecha na Lei Eleitoral para impugnar quem o venceu democraticamente. O vencedor, por sua vez, está pagando todos os seus pecados para atender os aliados na composição do seu secretariado. E neste cenário, as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti ficam em segundo plano. Enquanto isso, até agosto deste ano o aumento do caso de dengue no país atingiu 42,7% em relação ao mesmo período do não passado. Pressionado, o governo federal acaba de lançar medidas visando conter a ameaça de uma nova epidemia no verão que se aproxima. Mais R$ 128 milhões foram destinados a ações preventivas e ao treinamento de médicos. As forças armadas participarão no combate ao mosquito transmissor da dengue, e também no tratamento da doença. O número de pessoas contaminadas este ano já passa de 730 mil. O número de mortes passou de 148 naquele período de 2007 para 212 este ano. O Rio de Janeiro ocupa lugar de destaque entre os estados que menos fazem preventivamente para combater o mosquito. A situação está fora de parâmetros razoáveis, constatou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que acaba de anunciar medidas, que vão além do que já se vinha fazendo. Destaque para os três estudos-pilotos, dos quais se espera mais agilidade no combate ao mosquito da dengue. Dois deles serão aplicados em municípios da região Sul Fluminense. Um para avaliar a eficácia de um novo método de identificação de áreas de maior risco de transmissão do mal. E o outro para verificar a eficácia de um novo teste que mostraria, em 15 minutos, se a pessoa está contaminada pelo vírus da dengue. Bem, isto vai acontecer se o competente ministro Temporão, que vem mantendo inteligente distância da politicagem, resistir à pressão dos parlamentares do seu próprio partido, o PMDB, que querem a sua cabeça. Olha ai mais uma vez a política trabalhando a favor do Aedes aegypti. O avanço sem controle da epidemia de dengue no país é, sem dúvida, o nosso maior problema de saúde pública. Não pode, portanto, merecer o desprezo das autoridades, que envolvidas em intermináveis arranjos políticos não dão ouvidos aos especialistas que sentenciam: a melhor maneira de combater a dengue é evitar que ela seja transmitida ao ser humano pelo Aedes aegypti, eliminando os focos em que há acúmulo de água, locais propícios à proliferação do mosquito. Latas, embalagens, copos plásticos, pneus velhos, vasos de plantas e flores, garrafas são alguns dos mais conhecidos criadouros desse tipo de inseto. Já está na hora dos futuros prefeitos colocarem um ponto final na fatigante discussão pelo preenchimento de cargos da sua administração e iniciar um plano de combate ao mosquito da dengue em seu município, adotando, em princípio, as ações recomendadas pelo Ministério da Saúde. O tema merece ser tratado com prioridade, especialmente nos municípios do Interior do Estado do Rio, onde o problema da saúde é crônico e onde nota-se uma tendência ao aumento de casos de dengue. CURVA DEMOGRÁFICA - A projeção da população brasileira feita pelo IBGE apresenta um panorama desafiante para o país. Segundo o documento, o Brasil terá 200 milhões de habitantes em 2015, evoluirá para 215 milhões em 2050, quando cessará o crescimento, que já está em desaceleração. Os dados indicam que o pico de 219 milhões de habitantes será em 2038, a partir de quando a população, pela primeira vez na história do país, decrescerá. A queda da fecundidade, de um lado, e o aumento da esperança de vida estão entre os fatores que redesenham, no Brasil e no mundo, a curva populacional. Em apenas uma geração, portanto, os problemas econômicos, sociais, urbanos, educacionais e assistenciais que as curvas desse crescimento evidenciarão estarão presentes na sociedade. Em 2050, por exemplo, para cada cem crianças haverá 173 idosos, que terão expectativa de vida de 81 anos. O coordenador da pesquisa, para dramatizar o efeito que essa situação demográfica terá sobre a paisagem humana do país, refere que, no lugar da figura do avô com muitos netos, será cada vez mais freqüente uma criança cercada por quatro avós. Pois o Brasil terá que adaptar-se a essa nova paisagem. O perfil envelhecido da população exigirá uma espécie de revolução em várias políticas públicas. O planejamento para esse Brasil mais velho, com mão-de-obra menos dinâmica, com altos custos de assistência social e com pressões previdenciárias precisa ser feito a partir de agora. Qual governante se habilita a dar o primeiro passo? AULA DE EDUCAÇÃO - Uma lição de boa vontade, inteligência e, principalmente, de compromisso com aquela que deve ser a primeira prioridade de qualquer município: a educação. É isso que uma pequena cidade, com menos de 4 mil habitantes, do Centro-Oeste de Minas tem para ensinar a muitos municípios e estados por este país afora. E, como mostra a reportagem do Estado de Minas, os resultados garantem que vale a pena aprender com os educadores e com a administração municipal da até agora quase desconhecida Japaraíba. Com nota 5,8, muito elevada para o baixo padrão da maioria dos municípios brasileiros, a cidade ficou em primeiro lugar em Minas e em segundo no Brasil, de acordo com a mais recente pesquisa do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), realizada pelo Ministério da Educação (MEC), na faixa da 5ª à 8ª séries do ensino fundamental. Para se ter uma idéia do brilho de Japaraíba, o MEC tem como meta de bom desempenho, pelos critérios do Ideb, a nota 6. Ou seja, apenas dois décimos acima da que obteve a pequena cidade mineira. A maioria dos municípios brasileiros teve nota abaixo de 4,5 pontos, e essa não é uma realidade só das regiões mais pobres. Um dos itens que pesam no Ideb é o percentual de aprovação, e o de Japaraíba foi de incríveis 96,2%, nada menos do que 12 pontos acima da média nacional. EPIDEMIA SILENCIOSA - Relatório entregue ao Ministério da Saúde define medidas preventivas que podem dar uma contribuição importante para a redução da violência e, por isso, precisam ter um encaminhamento adequado pelo poder público. Só o custo imediato das ações violentas que produzem vítimas no país é estimado pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) em R$ 2 bilhões anuais, o que já seria suficiente para justificar a importância do trabalho. A estimativa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) é de que o custo total atinja nada menos de R$ 90 bilhões anuais recursos que, pelo menos em parte, poderiam ser usados para melhorar os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). O relatório sugere também maior envolvimento dos Estados com ações da chamada cultura de paz, além de mais atenção a programas como o Primeira Infância. O objetivo é procurar enfrentar os problemas ainda no ambiente familiar. PERNAS PARA O AR - Observa-se uma espécie de “falência institucional” em relação ao Congresso Nacional (Câmara e Senado) que vai de mal a pior. As duas Casas estão travadas, nada produzem e acumulam projetos que não são votados, alguns empoeirados no tempo há 20 anos, que são as regulamentações de preceitos constitucionais. Como conseqüência, o Poder Judiciário avança e substitui o Congresso nessas regulamentações. O Judiciário, mesmo ainda acometido da doença da lentidão, da letargia irritante, hipertrofiado com o número de processos que adormecem nas gavetas e nos cartórios, dá, no entanto, um passo à frente, e o Supremo Tribunal Federal passa a tomar decisões na “vacância” do Congresso. Alguns congressistas esperneiam e acham que se trata de invasão de atribuições de um poder em relação ao outro, mas, na verdade, a maioria dos parlamentares está mais adormecida do que os projetos e mais interessada em outros objetivos, inclusive, e sobretudo, de ordem pessoal. Com o fim do nepotismo, o Supremo tocou frontalmente nos interesses dos parlamentares, acostumados a encher os seus gabinetes de parentes. DE OLHO EM RESENDE – Derrotado ao tentar a reeleição, o prefeito de Resende, Silvio de Carvalho, encontra dificuldades para ter seu nome confirmado como futuro presidente do DETRAN. Setores do PMDB, partido do prefeito, se empenham em melar sua indicação. Enquanto isso, o prefeito eleito Dr. José Rechuan (DEM) com cuidado cirúrgico escolhe a sua equipe de governo. Mas como não há cirurgia que não sangre, a escolha do titular da secretaria de Educação, sofreu a interferência de um outro cirurgião de plantão, e o resultado final da cirurgia deixou seqüelas entre os partidos aliados. Já os ambientalistas do município tem motivos para festejar: o biólogo José Fontanezzi (PSDB), de histórica luta em defesa da preservação ambiental, vai assumir a secretaria de Meio Ambiente. DE OLHO EM ITATIAIA – Assessores ligados ao futuro prefeito de Itatiaia, Luiz Carlos Ypê apontam dificuldades no processo de transição, por conta da sonegação de informações do atual governo. Nada, na verdade, que complique o processo. A atual administração conta com parceiros fiéis do futuro prefeito, que já o abastecia com informações privilegiadas. Os nomes até então confirmados pelo prefeito eleito Ypê para compor o seu secretariado não surpreenderam. De novo, até agora, apenas a disposição de mudar a cara da cidade, compromisso de campanha, de quem há anos trabalha para que a cidade se encontre com a sua verdadeira vocação: a ecoturística. Que assim seja! PERGUNTAR NÃO OFENDE – Quem tem mais voto não vence a eleição? Então por que o ex-prefeito José Laerte (PMDB) ainda não foi confirmado como futuro prefeito de Quatis? Com karla Fonseca, Fernanda Leal e Roldão Pinheiro
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