Escândalos, cada vez mais escandalosos, se sucedem na Casa dos políticos maduros, quase podres: no Senado Federal. Na tentativa de acalmar os ânimos da oposição, que quer a sua cabeça, o presidente desta secular casa legislativa, senador José Sarney, subiu à tribuna, não o tom da voz trêmula e insegura, para tentar, sem sucesso, defender-se das denúncias que o atingem pessoalmente e abalam as estruturas da casa, renovadas a cada dia nas manchetes dos jornais. Nos últimos 15 anos, esta é a terceira vez que o senador José Sarney preside o Congresso Nacional. Coincidentemente neste período, através de atos secretos, vários parentes seus foram nomeados. Pode-se dizer que sob o bigode do Sarney e com seu aval, ressuscitaram a aberração do decreto secreto, que surgiu durante a ditadura militar, sob alegação, comum na época, de preservar a segurança nacional. Ironia do destino, o próprio Sarney, que na presidência restaurou a democracia em nosso país, adotou no comando do Senado práticas da ditadura que desafiam a moralidade pública. Ao se escudar em sua biografia, que segundo o presidente Lula, registra relevantes serviços prestados ao País e por isso não deve ser julgado como um homem comum, Sarney disse ignorar as irregularidades, nada sabia sobre o exagerado e improdutivo quadro de servidores do Senado, apesar de conhecer a casa como poucos. Memória curta de um homem de vida longa, que não deve se lembrar também que sua família há quase meio século domina o Maranhão (Sarney atualmente é senador pelo estado do Amapá), que apesar de ser um estado de grande potencial, sua população amarga a condição de uma das mais pobres do Brasil e convive com problemas básicos. Maranhão é um estado pobre cheio de políticos ricos. Qualquer semelhança do quadro exposto acima com as Câmaras de municípios paupérrimos cheios de vereadores que ostentam fortunas feitas, em muitos casos, com apenas um mandato, não é mera coincidência. Qualquer cidadão pouco atento sabe perfeitamente que a Câmara Municipal da sua cidade funciona tal qual o Senado Federal, as Assembleias Legislativas e Câmara Federal, como uma verdadeira máquina de gratificações para favorecer amigos, parentes e cabos eleitorais. E quando os parlamentares não conseguem abrigar todos os afilhados na casa a qual pertence, negocia voto com o poder executivo, ocupando espaço indevido nas prefeituras e no Estado. Não é, portanto, por erro de juízo do povo brasileiro que já não se espera dos integrantes destas casas legislativas exemplos de ética e de austeridade. Os parlamentares promovem, à revelia do eleitor, uma verdadeira privatização do espaço público. Mesmo num país como o nosso, em que a missão dos políticos é cada vez mais associada à defesa de interesses próprios, ou de pessoas do seu interesse, quem os elegem espera que as deformações sejam corrigidas e não perpetuadas. Sob qualquer ângulo que se olhe as casas legislativas do país, o que fica evidente é a existência de um enorme esquema ilegítimo para direcionar as instituições públicas, que deveriam estar a serviço da sociedade, para a defesa de uma minoria de privilegiados, escolhido por critérios eleitoreiros obscuros, que fabricam resultados e empobrecem o debate político. A crise do legislativo brasileiro é uma criação de setores radicais da imprensa, costumam dizer os políticos que não enxergam as mazelas que produzem e nem os crimes que cometem, sob o manto protetor da imunidade parlamentar, ignorando que como representantes da sociedade e servidores com função pública devem defender os interesses do povo. A imprensa sabe que o poder legislativo é essencial ao funcionamento da democracia e que a sua autodesmoralização põe a democracia em perigo e reforça o inquietante discurso de quem manifesta saudade da ditadura. O único proveito que se tira desses lamentáveis episódios que depõem contra as casas legislativas é a convicção da importância cada vez maior do voto como instrumento fundamental para a formação da composição mais qualificada do parlamento. E em função disso, não deve ser jogado fora na eleição e reeleição de candidatos que usam o mandato como passaporte para falcatruas. O SENADO PEGA FOGO O DEM, PDT e PSDB pediram que Sarney se licenciasse enquanto se realizam as investigações sobre as graves denúncias sobre irregularidades no Senado. Já PMDB e PTB confirmaram seu apoio ao presidente da Casa, não por unanimidade. Agora falta o PT se posicionar. O líder da bancada, senador Mercadante informou que o PT vai sugerir a criação de uma comissão com o objetivo de "promover uma profunda reforma no Senado, o que incluiria uma 'lei de responsabilidade fiscal' para a Casa e o fechamento de algumas de suas estruturas". Essa comissão, acrescentou Mercadante, seria formada por senadores, "que representariam os blocos partidários", e funcionários da Casa, "principalmente consultores". SESSÕES MELANCÓLICAS O Senado pega fogo mesmo na terça e quarta. Nos outros dias o marasmo toma conta da Casa e as sessões melancólicas se sucedem. Os poucos senadores que cumprem horário na Casa até o último dia da semana – inglesa, de apenas quatro dias – tratam na tribuna de assuntos irrelevantes e falam para os cotovelos, com a colaboração do senador Mão Santa (PMDB/PI), que invariavelmente preside estas sessões melancólicas. Noutro dia, falava na tribuna o discreto senador João Pedro (PT/AM). No plenário apenas dois senadores e não menos discretos: Marcelo Crivella (PR/RJ) e Paulo Duque (PMDB/RJ, pasmem, os dois do Rio de Janeiro. Foi de doer ouvi-los. Só mesmo por dever de ofício. COLETA SELETIVA O município de Quatis recebeu, recentemente, a visita de dois técnicos do Plano Estadual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, desenvolvido pela Superintendência de Qualidade Ambiental da Secretaria de Estado do Ambiente, em parceria com a Uerj. A vinda dos técnicos a Quatis faz parte de um cronograma do Governo Estadual que prevê visita a todos os 92 municípios do Estado, com o objetivo de conhecer o sistema de coleta de lixo desenvolvido pelas prefeituras, o destino dado aos resíduos sólidos e os aterros sanitários. Durante a reunião, o prefeito apresentou aos técnicos o projeto Bio Verde, desenvolvido na cidade anos atrás e que está em processo de reimplantação. No Bio Verde, os moradores da cidade trocam seus resíduos sólidos e úmidos devidamente separados, por uma moeda de troca. “Com essa moeda, as pessoas obtém descontos nos pagamentos de seus impostos municipais, como o IPTU”, detalhou o prefeito. “APUREM, POR FAVOR”! Com apelo acima como título, recebe a mensagem que segue, na íntegra, de morador do próspero município de Volta Redondo. Torço para que as denúncias, contidas na mensagem, não sejam verdadeiras, pois colocam em cheque a fama de que Volta Redonda é administrada de forma responsável e, acima de tudo, competente: “Os postos de saúde da cidade de Volta Redonda não têm o formulário de pedido de exames de rotina. Se uma pessoa vai a uma consulta com clínico e apresenta qualquer sintoma que necessite de um exame de sangue de rotina, ela não fará este exame pela prefeitura. Os médicos não recebem formulários. E não adianta o paciente retornar em outro dia para ver se tem. Nunca sobra, o médico não pode guardar. Atende 20 pacientes por dia e recebe apenas cinco formulários. O paciente deve tentar a sorte e marcar consulta com o clínico toda semana pra ver se consegue o pedido? E isso não vai onerar o sistema? Não vai tirar vaga de outro paciente que possa estar precisando de consulta? Ou deve pagar do próprio bolso? Outra coisa que acontece: os médicos se recusam a encaminhar para especialistas. Apenas dois exemplos: caso visível de tendinite e outro de gastrite. Os médicos se recusaram a encaminhar. A consulta com ortopedista na pulmocor custa R$40 e ainda terão os exames de raio-x. No caso da gastrite, que considero também grave, a pessoa não consegue se alimentar e por duas vezes, num intervalo de poucos meses, lhe foi receitado um remedinho que a pessoa deve tomar, pois gastrite "É PRA SEMPRE". Esse remedinho é “ULSERIDINA”. Está dado o recado, preservada a fonte. DE OLHO EM ITATIAIA CAMPANHA SALARIAL – A pauta de reivindicações dos servidores públicos de Itatiaia é extensa e chama atenção sobre alguns itens que se transformaram em bandeira de luta da categoria. Por exemplo: Orientação sobre Assédio Moral; Criação de Projeto de Lei estabelecendo a data-base do servidor municipal; Criação de Plano de Cargos e Salários; Mudança na estrutura da IPREVI; Reajuste salarial de 9%, a título de ganho real; e a mais importante das reivindicações, que se atendida, resolve os demais problemas dos servidores: Redução do número de cargos em comissão com o envio à Câmara de um projeto que limita o número, absurdo, de cargos comissionados. O Prefeito vai comprar uma briga feia com os seus padrinhos políticos do seu próprio partido, o PP, do PT e do PSC. Fontes da prefeitura denunciam que só o deputado Delei empregou em Itatiaia, dezenas de cabos eleitorais. BOCA MALDITA 1. Acreditem se quiser, mas vários lideranças comunitárias de Itatiaia, através de e-mails, manifestaram o desejo de criar sucursais da BOCA MALDITA, cuja sede é no Jardim Itatiaia, em seus bairros. Nada contra, segundo o nosso grande líder Seu Coutinho, porém, há de se respeitar o lema da BOCA MALDITA: A NOSSA RAZÃO SE SER NÃO É A SUBSERVIÊNCIA, MAS A CRÍTICA. Em outras palavras, não vale bajular as autoridades públicas (servidores públicos), mesmo que elas tenham feito algo de correto. Trabalhar direito é obrigação dos gestores públicos e, portanto, não merece elogios. Agora, denunciar e criticar pode! É um dever do boqueiro. 2. A BOCA MALDITA do Jardim Itatiaia é um espaço democrático, portanto, está de portas abertas para quem quiser criticar, denunciar, trocar idéias e, até, fofocar. O vereador Totonho, do partido do prefeito, visitou a BOCA e não ficou de boca fechada. Segundo um dos boqueiros, ele disse que queria conhecer as reivindicações da BOCA MALDITA e ajudar no que for preciso. Se de fato o vereador disse isso, perdeu seu tempo. A BOCA MALDITA não faz reivindicação e muito menos ainda atrás de ajuda de quem quer que seja. A BOCA MALDITA critica, denuncia irregularidades, reclama, bota o dedo na ferida e manifesta sua contrariedade com a omissão, a falta de criatividade, de responsabilidade e competência das pessoas que cumprem mandatos e ocupam funções públicas. Dos vereadores, a BOCA MALDITA espera a criação de projetos que melhorem a qualidade de vida da população e transforme Itatiaia em um município de verdade, além, é claro, da fiscalização atenta dos atos do Poder Executivo, mesmo sendo do partido do prefeito. É para isso que foram eleitos. Um vereador conquista o respeito da sociedade quando trabalha com foco nestas questões. Tudo mais não sensibiliza nem um pouco a BOCA MALDITA, cujos fundadores são pessoas independentes, que vivem para e não do município. 3. A BOCA MALDITA recebeu cópia de uma matéria, sem referência de onde foi publicada, com o seguinte título: “Água de Itatiaia continuará de graça”. É evidente que o mensageiro quis em nome do prefeito Ypê, responder a pergunta que a BOCA MALDITA não cansa de fazer: A água de Itatiaia vai ser ou não cobrada. A declaração do prefeito na matéria é de quem não quer ficar mal com a população, já que falar de cobrança da água em Itatiaia é criar problema com o eleitor. Há de ter coragem para tratar de assunto com a seriedade que ele merece. Agora, achar que o problema da água de Itatiaia vai ser resolvido com a intermediação dos parlamentares que estiveram em seu palanque e com a ajuda da vice-prefeita, Gilda Molica, que é do PT, partido do presidente Lula, é viajar na maionese. Com relação à Itatiaia a única coisa que o governo federal deseja é transformar os habitantes do Parque Nacional em sem tetos. Se a prefeitura de Itatiaia não tratar por si da água servida à população, que tem a incômoda presença de coliformes fecais, não adianta nada ela continuar de graça. Com Roldão Pinheiro; Karla Fonseca e Fernanda Leal |