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DAS LÁGRIMAS AO BOM SENSO
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JUVENTUDE AMEAÇADA
Doença da pobreza
22/07/2009

Recente pesquisa realizada em vários pontos do país por um professor de medicina dos Estados Unidos, Albert Ickasang, chegou à seguinte conclusão: a leptospirose é uma doença da pobreza. Não há, na verdade, nenhuma novidade nisso. Mas, é sempre impressionante constatar que este fato faz parte de um quadro cotidiano nas cidades exposto a olhos nus, mostrando o quanto o lixo e a pobreza condenam comunidades à doença do rato.

Já falei sobre este assunto, revelando a minha preocupação com o absurdo crescimento impune da população de roedores nos bairros da cidade onde vivo: Itatiaia, colada a outros municípios da chamada região das Agulhas Negras, cuja beleza não consegue esconder os espaços marcados por duas cicatrizes sociais: a pobreza e a leptospirose.

O professor Albert Ickasang, em entrevista a uma revista norte-americana, alertou sobre os problemas das doenças tropicais e resumiu em poucas palavras o significado da chamada doença da pobreza: “Além de identificar fatores de riscos ambientais, como a falta de saneamento básico, o estudo mostrou que o nível de pobreza está fortemente ligado à prevalência da doença. Concluímos que o risco de infecção diminui 11% a cada dólar (cerca de dois reais) a mais por dia acrescentado à renda familiar per capita”. Conclusão: são fatores de risco, indicadores de pobreza – para não dizer miséria - morar em condições sub-humanas, perto de esgoto a céu aberto, onde há lixo amontoado e exposto; e nas áreas de alagamentos. No Estado do Rio de Janeiro quem não vive exatamente em bairros com estas características, certamente mora ao lado.

A doutora em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz, Denise Oliveira, desenvolveu pesquisa sobre leptospirose e chegou às mesmas conclusões as quais chegou o professor Ickasang: comprovou a relação entre pobreza, lixo e doença do rato. Segundo a doutora Denise, a chance de adoecer e morrer de leptospirose são três vezes maiores nos bairros onde a população tem menor renda e as condições de saneamento são piores.

Esta gravíssima conclusão está mensurada nos mapas dos vários municípios do Estado do Rio de Janeiro. Na região das Agulhas Negras, por exemplo, o Plano Diretor das Cidades identifica com clareza onde mais se concentra a pobreza e as doenças dela decorrentes. É impressionante como esses dados, fartamente disponíveis, não sensibilizam os gestores públicos, justo eles que garimpam seus votos exatamente nesses bolsões de pobreza onde sobrevivem seus eleitores.

Para quem não vive na região das Agulhas Negras, conhecida pelo seu charme e pelos seus encantos, pode não acreditar, mas o mapa da doença na região revela uma trágica realidade: a maior parte da sua população é pobre e vive em condições insalubres.

É lamentável constatar que a chamada doença da pobreza trata-se, na verdade, de uma doença social, fruto da ignorância da população perpetuada pela criminosa omissão dos poderes públicos. Coleta de lixo, saneamento e prevenção contra alagamentos em áreas urbanas e atendimento à saúde são atividades elementares de qualquer governante. Se os problemas persistem e se agravam, ele deve ser cobrado por isso. É duro saber que por incompetência, má-fé, desinformação ou tudo isso somado, o legislativo e o executivo das cidades não conseguem enxergar que o problema da saúde está associado à qualidade ambiental e que a precariedade ambiental em diversas partes dos municípios é fruto da deficiência do saneamento básico, associado aos baixos rendimentos e, principalmente, ao grau de instrução e dependência da população, evidenciado na escolha dos seus representantes, que se transformam em seus algozes no exercício da função pública.

PEGOU MUITO MAL

Por imposição da crise, muitos brasileiros se viram na rua da amargura: desempregados. Sem alternativas, engrossaram as filas em busca do auxílio-desemprego do Ministério do Trabalho. Online sofreram grosseiras agressões, quando solicitavam dados sobre o encaminhamento de suas solicitações. Eles eram levados a digitar palavras numa espécie de caça-palavras, tais como: vagabundo, frouxo, potranca, saliente ou perua. Mais do que surpresa, o fato provocou revolta dos desempregados. O ministro Carlos Lupi, conhecido pelo linguajar destemperado, pediu desculpas ao país e determinou mudança no esquema de consultas. O curioso é que o ministro dirige um partido, o PDT, cuja história é marcada pelo respeito à classe trabalhadora. Os trabalhistas não deixam o espírito do Brizola descansar em paz.

BIOGRAFIA MACULADA

Para o político fundo de poço tem mola. No Brasil, a carreira política só acaba quando o político morre. A crise do mensalão mostrou claramente que o político sobrevive aos escândalos. Até aos mais graves. O presidente Lula é a melhor prova disso: seu prestígio não foi abalado pelas denúncias contra os seus pares e o seu governo. Continua na crista da onda.  Mas cá entre nós, o senador José Sarney, contra quem a cada dia surge uma nova denúncia, na política há mais de meio século, ex-presidente da República, imortal da Academia Brasileira de Letras, bem que poderia se houvesse encerrar sua carreira política, não passar os dissabores que ora enfrenta. Não terá tempo de apagar da sua biografia carga tão pesada de acusações que vão desde nepotismo puro e simples até a malversação de verbas de uma fundação que leva o seu nome.

SAÚDE PÚBLICA

Com investimentos que somam R$ 420 milhões, o Ministério da Saúde vai implantar, ainda este ano, 250 unidades de Pronto Atendimento (UPAs). As UPAs 24h são estruturas de complexidade intermediária entre as Unidades Básicas de Saúde e as portas de urgência hospitalares. Juntas, as três compõem a rede organizada de atenção às Urgências. O principal objetivo é desafogar as emergências dos hospitais públicos. A meta do governo é habilitar um total de 500 unidades até 2010. A parceria é feita com estados e municípios. Se não sobrar nada para a região Sul Fluminense, a população pode colocar a culpa nos prefeitos.

DE OLHO EM RESENDE

- Xiiii... O morador de Resende, João Silva (silvajoo69@yahoo.com.br) botou a boca no trombone contra o loteamento de cargos no governo Rechuan. Diz o corneteiro João Silva: “A rainha do reino Rechuan CIAL, depois de perder seis meses de governo na secretaria de Administração, por querer nomear mais que o prefeito, agora vive sem mesa, sem secretaria e poder da caneta, se envolvendo em assuntos que não lhe dizem respeito. A Rainha do Reino Rechuan foi quem mais indicou e nomeou CARVALHISTAS para o governo Rechuan. Virou amigo inseparável do vereador Kiko Carvalhista Roxo desde criancinha. Os partidos de esquerda que levaram o atual prefeito a vitória perdem espaço a cada dia pelos chamados técnicos. E a Rainha do Reino Rechuan se diverte enchendo a prefeitura de CRAVALHISTAS. É só acompanhar o Boletim Oficial da Prefeitura”. A pedido do leitor, vamos ficar de olho.

- A ação da Polícia Rodoviária Federal melou a tentativa de políticos e moradores de armar palanque próximo à Praça de Pedágio localizada na altura do km 318, em Itatiaia, durante a manifestação contrária à retomada da cobrança da tarifa de pedágio de veículos com placa de Resende. Políticos e manifestantes deixaram o local revoltados não só com mais uma ação de irresponsabilidade social da Nova Dutra, mas também com o comportamento truculento dos policias. Para a Nova Dutra e para os policiais, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

- Visconde de Mauá, Serrinha e Capelinha, locais turísticos de Resende, serão beneficiadas com a retomada da coleta seletiva de lixo. O recolhimento de materiais recicláveis começará em agosto, informou a AMAR (Agência de Meio Ambiente do Município de Resende). Segundo o presidente da AMAR, Paulo José Fontanezzi, o recolhimento de materiais recicláveis em Visconde de Mauá, Serrinha e Capelinha serão realizado toda quarta-feira por dois “catadores” da Cooperativa de Resende. Ele adianta que até o final do ano o projeto está programado para chegar às seguintes comunidades da área urbana: Nova Liberdade, Liberdade, Jardim Jalisco, Campos Elíseos, Montese, Boa Vista I e II, além do Loteamento Mirante das Agulhas, estes três últimos situados na Região da Grande Alegria.

DE OLHO EM QUATIS

- Bela iniciativa da Prefeitura de Quatis. No final deste mês, a Secretaria Municipal de Ação Social realiza a 7ª Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. O evento, que traz o tema “Construindo as Diretrizes para Política e Plano Decenal”. Segundo secretário Hélio Ricardo, “esforços estão sendo feitos para que todas as escolas das redes municipal, estadual e particular do município participem do evento, porque esta é a oportunidade para que todos se expressem sobre o assunto, exponham suas opiniões e sugestões”. O tema merece profundas reflexões, no exato momento em que os municípios do Interior começam a conviver no seu cotidiano com agressões violentas às crianças e aos adolescentes, muitas das quais dentro do próprio lar. Itatiaia tem sido um lamentável exemplo desta deformação social, freqüentemente estampadas nos jornais da região.

BOCA MALDITA DE OLHO EM ITATIAIA

- Quando a Prefeitura de Itatiaia fala em turismo, a BOCA MALDITA logo se arripia. Também pudera, falar em turismo em uma Cidade que não cuida exatamente do que o turista mais admira, a higiene, é brincadeira de mau gosto. Mas, a Prefeitura agiu pirotecnicamente em Penedo para limpar parte da sujeira das ruas do bairro: retirou ambulantes e coibiu o comercio informal na local. Tudo bem, a medida pelo menos vai permitir que os corajosos turistas circulem mais livremente pela cidade. Mas, agora dizer que a meta do governo é criar as condições necessárias para que o município desenvolva o turismo e comece a ter projeção nos cenário turístico nacional e internacional, é um exagero sem limites. Desde a sua falsa emancipação, Itatiaia andou para trás. Sequer cuidou do bem que a Natureza lhe deu de graça: seus rios e cachoeiras.  Chegar a um dos pontos turísticos de Itatiaia é um verdadeiro exercício de resistência. Prefeito, secretários, vereadores, basta andar pelas ruas da cidade para constatar que Itatiaia não tem, hoje, as mínimas condições para falar de turismo competitivo.

- Por falar em falta de condições, é assim que estão algumas ruas dos bairros próximos ao Centro e de Penedo para se andar de carro, de carroça e a pé. Se nada for feito para melhorar o estado lastimável das ruas de Itatiaia, a secretaria de Turismo bem que poderia desenvolver um projeto para atrair turistas que praticam esportes radicais. Tipo: Sobrevivendo aos Buracos. O ciclista que conseguir circular pelas ruas da Cidade sem entortar a roda da bicicleta, ganha um final de semana grátis no Hotel Ypê. O Quebra Pé, especial para turistas da Terceira Idade que andar pelas ruas de Penedo sem torcer o tornozelo. Além das despesas com a saúde – é claro em um hospital de Resende – o turista idoso ganharia um mês com tudo pago por conta da Prefeitura de Itatiaia, nas praias de Ubatuba. Estas são algumas sugestões da BOCA MALDITA, mas existem outras para transformar Itatiaia pelo menos em uma Cidade mais criativa.

- Por falar em buraco, o do Ypê, localizada na Rua Hum Sul, próximo a sede da BOCA MALDITA, continua crescendo. Mais do que uma falta de consideração com os moradores da rua - como se não bastasse o relaxamento da Nova Dutra que mantém um terreno baldio em frente ao bairro – é um desrespeito ao Prefeito Ypê, que não merece ser homenageado pela BOCA MALDITA, que batizou o buraco com o seu nome, dessa forma. O prefeito Ypê, Seu secretário de Obras, tem muito prestígio na BOCA MALDITA. Afinal, o mentor intelectual da BOCA, Seu Coutinho, é Ypê Roxo.

- Só resta agora a BOCA MALDITA como a voz rouca das ruas de Itatiaia. Parece que está fora do ar o blog “Dúvida Por quê?”, especialista em meter o pau na equipe de governo do prefeito Ypâ. Exageros a parte, se 10% do que o falecido blog falava for verdade, a dorminhoca Câmara Municipal de Itatiaia tem motivos de sobra para investigar o Executivo, através de uma CPI. As denúncias são cabeludas e, se verdadeiras, não há Sarney que resista. A BOCA MALDITA não é tão agressiva quanto ao falecido blog. Ela faz por menos: enquanto a Câmara não apura nada e a prefeitura não se manifesta a respeito do que o blog espalhou no ventilador, nós, da BOCA, nos contentamos com a limpeza decente das ruas da Cidade. Tem que dar treinamento aos trabalhadores que recolhem o lixo. Quando o caminhão do lixo passa, a Cidade fica mais suja. São sacos, restos de comida e até animais mortos largados pelo caminho. Se continuar do jeito que está, a BOCA MALDITA vai acabar pensando em um novo projeto turístico para a Cidade. Quem sabe... ENCESTANDO O LIXO. Um turista cata o lixo, enquanto o outro corre ao lado com uma cesta de basquete. A dupla que encestar uma área maior, ganha um passeio no Parque Nacional, inteiramente grátis, inclusive um almoço oferecido, é claro, pelo Hotel Ypê. Está dada uma sugestão.

Com Karla Fonseca, Fernanda Leal e Roldão Pinheiro

 

 
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