Reportagem de domingo de O Globo, que continua na segunda-feira, registrou mais uma aberração produzida pelos deputados federais. Depois dos mensaleiros e dos sanguessugas, surgem os gazeteiros, prática antiga na Casa. São parlamentares que às quintas-feiras batem ponto em plenário para garantir o salário integral e viajam em seguida para os seus estados de origem. Imaginem se todo o trabalhador brasileiro resolvesse adotar o mesmo procedimento desta classe privilegiada, marcar o ponto e retornar para casa mais cedo. O que seria deste país? Não adianta depois colocar a culpa na imprensa pelo desprestígio da classe política junto à opinião pública. A desmoralização dos parlamentares é merecida por culpa deles próprios. Os políticos formam uma classe, coesa, ciosa de seus direitos - e não dos seus deveres -, cercada de vantagens e mordomias, ferrenha defensora dos seus próprios interesses, particulares e partidários. Eles transformam o mandato popular em fonte de renda, meio de vida. A função pública em emprego vitalício através de conchavos, acertos, negociatas, nem sempre longe dos olhos dos eleitores. “Não há regras sem exceções” e na política este conceito também se aplica. Mas não são muitos os exemplos de parlamentares que se distanciam desta prática. É a minoria que tem consciência de seu papel político de representar a sociedade, legislar e fiscalizar o governo. E este pequeno grupo de parlamentares pouco pode fazer para mudar esse quadro que desvia normas e promove aberrações, que – pasmem – conta com a aprovação do Corregedor da Câmara, como foi o caso dos gazeteiros denunciados pelo jornal O Globo. As constantes trocas de farpas e duras ofensas entre parlamentares, deputados e senadores, ministros do Supremo em plenário e as rasteiras de ministros de Estado uns nos outros, são fatos que não enobrecem as instituições e fazem com que o povo deixe de acreditar na democracia representativa como a melhor forma de governo inventada até hoje. É urgente mudar essa mentalidade negativista. Concordemos: alguma coisa tem melhorado. Hoje as patifarias são amplamente divulgadas. Basta ao eleitor fazer a sua parte: votar em gente que se inspire na ética e represente realmente a sociedade, o povo. AS LIÇÕES DE HERVAL FARIA
Em meio a essa triste rotina de más lições registradas pela imprensa, destaco a figura de um jornalista, que nos deixou recentemente, como modelo de coragem, otimismo, alegria, dignidade e decência profissional. Falo do saudoso amigo Herval Faria, que morreu como viveu: lúcido e criativo até o último suspiro. Dias antes da sua partida, Herval falava, com a alegria de sempre, do retorno do seu time de coração, o Vasco da Gama, à primeira divisão do Campeonato Brasileiro, agora concretizado. Sempre bem humorado, nunca o vi reclamar de sofrimentos. Como empresário bem sucedido na dura área de comunicação, Herval agia sem ostentação e vaidade. E não foram somente lições de amor à vida e de dignidade pessoal que o jornalista Herval nos deixou. Ele foi, sem dúvida, um jornalista influente, de posições claras, observador atento da realidade brasileira. Mostrava reocupações com o mundo por vir. Mas, é claro, não pretendia nos deixar tão cedo. Tinha planos, muitos planos. Sua retirada de cena por certo o surpreendeu. E para nós, amigos e admiradores, fica um sentimento de amputação que resistirá ao tempo. Por muito tempo vou checar meios e-mails em busca das suas mensagens, esperando encontrá-las. Mas elas não estarão lá e nem mais virão. Que pena! DESCENDO DO MURO
O tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais, abriu o verbo para 500 empresários de São Paulo. Sobre o governo Lula, disse em alto e bom som que representa um retrocesso. “Há uma cooptação dos movimentos sociais e das centrais sindicais e improvisação em programas públicos. Não podemos inflar expectativas com programas feitos de improviso. O alargamento dos gastos do governo federal será o maior problema para o próximo governo. Não é um julgamento do governo Lula, mas é o futuro que virá, para alguns, apesar de Lula, e para outros, por causa dele. Os movimentos sociais e os sindicatos não devem pensar que serão perseguidos em um virtual governo tucano”. Sobre a sua possível candidatura à presidência, Aécio diz estar à disposição do partido para uma “construção diferente daquela que está sendo proposta hoje”. Foi enfático ao dizer que não existe a possibilidade de ser vice do Serra. “Não preciso estar numa chapa para apoiar o candidato do PSDB, seja ele Serra ou outro”. Segundo Aécio o próximo presidente do Brasil terá que enfrentar dois grandes problemas: “o aumento dos gastos orrentes de forma exagerada, que impedirá o avanço dos investimentos, principalmente em infraestrutura, e a atuação de movimentos sociais”. A MAIS POPULAR DA AMÉRICA LATINA
Pesquisas recentes dão a Bachelet aprovação de 80%, recorde na história política do Chile. Poucos presidentes ou chefes de governo no mundo todo alcançaram esse patamar nos últimos 100 anos. Essa aprovação vem crescendo mês a mês nos últimos 12 meses. Um ano atrás sua aprovação alcançava 42%. E esse crescimento de 38 pontos, quase dobrando, ocorreu exatamente durante a crise econômica. E é no manejo da economia onde recebe as melhores notas, assim como é seu ministro da fazenda, André Velasco, o mais bem avaliado do ministério. PARA A REFLEXÃO DOS GESTORES PÚBLICOS
“As cidades brasileiras abrigavam, há menos de um século, 10% da população nacional. Atualmente são 82%. Incharam, num processo perverso de exclusão e de desigualdade. Como resultado, 6,6 milhões de famílias não possuem moradia, 11% dos domicílios urbanos não têm acesso ao sistema de abastecimento de água potável e quase 50% não estão ligados às redes coletoras de esgotamento sanitário. Em municípios de todos os portes, multiplicam-se favelas. A evidente prioridade conferida ao transporte individual em detrimento do coletivo tem resultado em cidades congestionadas de tráfego e em prejuízos estimados em centenas de milhões de reais". Esse quadro sintético é pintado pelo Ministério das Cidades para explicar sua existência como estrutura burocrática destinada a ajudar os municípios a enfrentarem tantos e tão graves problemas. Um em particular – o transporte coletivo – vimos que tudo parece estar ainda por se fazer nessa área, apesar do previsível discurso oficial que fala em grandes avanços. Convencer a população de que de fato o sistema de transporte público avançou é uma das principais tarefas dos prefeitos das grandes Capitais e do Interior. Os dirigentes municipais da região das Agulhas Negras, em particular, terão que repensar as suas cidades nos aspectos mais sensíveis para toda a população, como é o caso do transporte coletivo. Devem ter a sensibilidade de ousar, para mudar a dramática condição de quem vive nos locais de difícil acesso. DE OLHO EM ITATIAIA
Um alerta à população: o blog http://bocamaldita.blog.ru não tem nada a ver com a tradicional BOCA MALDITA do Jardim Itatiaia, que tem a liderança serena e civilizada do Seu Coutinho. Surpreendeu os integrantes da BOCA MALDITA do Jardim Itatiaia o surgimento deste canal de comunicação, cujo propósito difere na essência do grupo de pessoas que integram a tradicional BOCA, que é o de reclamar soluções, cobrar ação do gestor público, condenar a omissão e o mau uso do dinheiro público, enfim, contribuir com a crítica para uma Itatiaia melhor. Ao contrário do blog, que lamentavelmente foi batizado com o mesmo nome, que segue caminho diferente, invadindo o espaço privado das pessoas que participam da atual administração de Itatiaia. Os integrantes da BOCA MALDITA do Jardim Itatiaia respeitam a liberdade de expressão, porém, não comungam dos princípios que norteiam a edição do blog Boca Maldita. Em consideração às pessoas que respeitam os integrantes da tradicional BOCA MALDITA do Jardim Itatiaia, ela vai mudar de nome para que a sua manifestação não se confunda com a do blog Boca Maldita. LÍNGUA AFIADA é o novo nome dado ao grupo de pessoas que se reúne no Espaço Coutinho do Jardim Itatiaia. Sob o comando sereno do Seu Coutinho, A LÍNGUA AFIADA seguirá o mesmo princípio que resultou na criação da Boca Maldita do Jardim Itatiaia: “Nossa razão de ser não é a subserviência, mas a crítica”. E não poderia ser diferente. Afinal, só participam da LÍNGUA AFIADA, pessoas independentes, que não sofrem influência de políticos e muito menos de partidos. |