Há um ano, o tema saúde desfilou nos palanques como prioridade dos candidatos a prefeito na maioria dos municípios do Estado do Rio. Para conquistar votos, os candidatos faziam uma dolorosa e justificável constatação de que o modelo de gestão de saúde até então em vigor no Estado – e por que não dizer no país - estava falido. E a partir do município esta realidade precisaria ser mudada. Um ano depois, tudo como dantes. E os prefeitos eleitos - muitos dos quais ainda não desceram dos palanques – continuam prometendo: 2010 será o ano da saúde. Tomara! Vamos torcer para que essas promessas – velhas promessas – se concretizem. Não dá para continuar convivendo com os altos índices de mortalidade infantil e materna, com as greves que lotam de desassistidos os corredores dos postos de saúde, com os desvios dos recursos, com as denúncias, que se confirmam sempre, sobre as más condições dos equipamentos de saúde. Na política brasileira os candidatos em cima de um palanque prometem, quase sempre, muito além do que realmente poderão fazer se chegarem ao poder. O exagero eloquente só será percebido quando assumirem o mandato e ao constatarem que o buraco é bem mais em baixo. Aí, tratam de gerenciar as promessas com os chamados indicadores de avanços. O eleitor passou a considerar natural que assim seja. E sequer cobra, um direito seu, que as coisas sejam mais responsavelmente prometidas e mais fielmente cumpridas, ou explicada sua impossibilidade. O eleitor esquece que saúde é um dever intransferível do poder público, obrigação constitucional da qual nenhum governante se pode furtar. E assim, a política historicamente adotada na área da saúde pública continua inversamente proporcional às necessidades da população. Vivemos num país onde saúde pública é sinônimo de indigência e estão à vista de todos suas deficiências, tanto no Interior como nas Capitais. Provas materiais há muitas, visíveis, nas filas madrugada adentro em postos de saúde e hospitais, nas salas de espera abarrotadas de doentes – sabe-se lá com qual enfermidade - esperando o percorrer lento e com frequência displicente de fichas e encaminhamentos, nos ambulatórios ou nos corredores, onde a pobreza se expõe no que há de mais cruel: a fragilidade física e emocional das pessoas, que colocam nas mãos de Deus suas esperanças. Afinal, qual a razão da existência, da persistência e do agravamento dessas condições na área da saúde? Por que o pobre, justo ele que depende do serviço público, é tão maltratado e tão recorrentes são as promessas de que as coisas vão melhorar? As respostas são muitas e complexas, passam por deformações estruturais históricas, dificuldade de gerenciar uma máquina pública movida por servidores mal pagos e aos quais não é oferecido treinamento adequado. Um vício que vem de longe e mostra desvios que ainda estão por ser explicados, como médicos com máxima formação acadêmica e técnica recebendo remuneração muito inferior a um assessor qualquer da Câmara e do Senado, por exemplo. Mas além das aberrações que expõe a má qualidade do serviço público há o aspecto que mais escandaliza o do mau atendimento que termina por atingir a saúde da população. O governo do Estado do Rio, no discurso sempre eufórico do governador Cabral, pode se orgulhar do avanço – menor do que o anunciado - que está apresentando no setor saúde e mais feliz poderia ficar a população diante da promessa de que 2010 será, de fato, melhor ainda. Entretanto, no meio do caminho há obstáculos que os governantes, por maior boa vontade que tenham, dificilmente corrigirão em um mandato, sequer em dois ou mais se fosse possível: a deficiência da máquina pública, mais grave que a ausência de equipamentos. São fartos os exemplos do que isso representa para a população, a carente em especial. A falta de médicos plantonistas, mau atendimento de médicos e outros servidores, ausência de médicos nos finais de semana e delegação de procedimentos privativos de médicos a outros profissionais não autorizados se repetem e agravam a situação dos doentes que buscam um serviço de saúde que atenda aos requisitos de dignidade e respeito a suas vidas. Esse é o problema para o qual nenhum governante encontrou a solução até agora. Ignoram - desinformados que são - que a saúde pública está acima da estratégia de gestão a ser adotada. Na sua essência, é um encontro ético e fraterno entre o poder público e o cidadão que se manifesta quando a saúde é o centro do debate dos habitantes de um pequeno município, onde as pessoas se conhecem e se respeitam e a partir do qual a cidadania se fortalece. CONGRESSO EM BAIXA Nenhum exagero afirmar que a retrospectiva política brasileira de 2009 é desalentadora. Não precisa adicionar nada às denúncias que pesaram sobre os principais líderes Congresso, o resultado deveria ser a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para mudar tudo que aí está. Mas os vícios e as deformações do poder em nosso País são tão grandes que a convocação teria que ser exclusivamente para dar uma nova cara à República, alterar o pacto federativo, criar cláusulas pétreas éticas para toda a ação política nacional e, concluídas todas as transformações, convocar-se eleições gerais e dissolver-se a Constituinte. Pode ser um desejo utópico, mas é o que dará esperança de que 2010 venha a ser o ano em que os brasileiros darão o testemunho definitivo do amadurecimento político, promovendo a verdadeira e necessária faxina ética na política brasileira. Outro não foi o significado do manifesto da Transparência Brasil, em julho de 2009 – e aí nos situamos rigorosamente no contexto da retrospectiva. Naquele manifesto, a instituição exigia do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União “providências em relação aos escândalos que se sucedem nas duas Casas do Congresso Nacional, sem que essas instituições respondam à altura”. E a Transparência Brasil falava numa erosão de confiança que não se limitava ao Parlamento: “Os exemplos de malfeitorias cometidas por deputados, senadores e funcionários, bem como por deputados estaduais e vereadores de todo o País desgastam a confiança do público em relação às instituições parlamentares. É crescente a quantidade de pessoas que se perguntam para que elas existem e para que votar”. Nesse contexto cresce o movimento popular, expresso nos adesivos de automóveis, que prega: “NÃO REELEJA NINGUÉM! É o único jeito democrático de dar dignidade à atividade política no Brasil.” Nada mal. NA MOSCA Aí pelas décadas de 60, 70, do século passado, era costume consultar nas passagens de ano, cartomantes, pais de santo, videntes, para projetar o novo ano que estava chegando. Tradicionalmente, eles “previam” que grandes tragédias iriam acontecer, personalidades do mundo artístico morreriam e, em ano de eleição, ampliavam o prestígio eleitoral de figurinhas carimbadas da política brasileira e por ai caminhavam. A passagem do século 20 para o século 21 sepultou esse exercício informal de futurologia e entraram em cena profissionais do ramo: cientistas, analistas, consultores, técnicos capazes de trabalhar dados – com a ajuda de uma máquina que no tempo dos velhos videntes era conhecida como “cérebro eletrônico” – e projetar com razoável probabilidade de acerto, o que está para acontecer em alguns setores vitais para todo mundo, como a economia, por exemplo. Um caso emblemático dessa mudança tem como personagem um economista turco, Nouriel Roubini, naturalizado norte-americano, que no começo do século 21 era apelidado Dr. Doom, ou Doutor Catástrofe. Pois ele acertou em cheio a catástrofe que se abateria sobre a economia em 2008. Em 2005, três anos antes da crise global, ele afirmou: “O preço dos imóveis residenciais surfa em uma onda especulativa que brevemente fará afundar a economia.” Na mosca. PAC DA COPA Já estão garantidos os recursos para o PAC da Mobilidade Urbana da Copa do Mundo de 2014. O programa é composto de 47 projetos que vão melhorar a infraestrutura aeroportuária, de transporte e de hotelaria nas 12 cidades que sediarão os jogos – o Rio a principal delas. O governo federal investirá R$ 7,68 bilhões do FGTS, que, somados às contrapartidas estaduais e municipais, totalizaram R$ 11,48 bilhões. Terão prioridade os projetos que puderem ser concluídos de acordo com o cronograma estabelecido pela FIFA. Serão considerados ainda os benefícios que os projetos trarão para as cidades após a realização da Copa. Segundo o ministro das Cidades, Márcio Fortes, cerca de 30% dos recursos serão investidos em sistemas de transporte sobre trilhos. O governo federal vai investir R$ 1,19 bilhão no Rio de Janeiro, onde será implantada uma linha de BRT entre a Penha e a Barra da Tijuca, passando pelo Aeroporto Tom Jobim. BOLA EM JOGO Já que estamos falando sobre Copa do Mundo, onde se pratica o futebol de alto nível, vale a pena ouvir nas manhãs de domingos na Super Rádio Tupy o debate que rola na mesa redonda comandada pelo colega Luiz Ribeiro, Bola em Jogo. Ao lado de feras do jornalismo esportivo, Luiz Ribeiro coloca em discussão temas polêmicos e mantém os ouvintes atualizados com tudo que acontece dentro e fora dos campos de futebol, Brasil afora. Oriundo do jornalismo comunitário, o vascaíno Luiz Ribeiro é, hoje, um dos destaques do seleto grupo de profissionais que fazem a melhor cobertura do futebol brasileiro. DE OLHO EM RESENDE DENGUE – A população reclama da lentidão do programa de combate à dengue da Prefeitura. Só recentemente a secretaria municipal de Saúde divulgou a programação do carro fumacê, com início previsto para o final de janeiro. O mosquito parece ter escolhido o bairro Paraíso para morar, onde muitos focos foram encontrados: 22 em 703 imóveis vistoriados, segundo dados da secretaria. Esse dado representa um percentual de 1,59%, enquanto o índice máximo tolerável pelo Ministério da Saúde é de apenas um por cento. Dr. Rechuan – prefeito da Cidade -, a população está preocupada com o apetite do mosquito! DE OLHO EM ITATIAIA DENGUE – Não se sabe o que tem sido feito pela Prefeitura de Itatiaia para combater o mosquito causador da dengue. O que se vê, são as ruas sujas e cheias de buracos, que com a chuva se transformam em focos do mosquito. O rio que passa sob a Rodovia Presidente Dutra que corta a Cidade, é uma verdadeira vala negra. A sujeira ali decantada serve de barreira de contenção e, no período de chuva, provoca as enchentes que tanto inquietam a população. Cidade limpa é garantia de qualidade de vida para sua população e, no caso de Itatiaia, para os turistas que a visitam. Mas, pela inércia do poder público, parece que as secretarias diretamente envolvidas com estas áreas, meio ambiente, obras e turismo, não sabem disso. É uma pena! BOCA MALDITA – A Boca Maldita do Jardim Itatiaia continua recebendo a visita do prefeito Ypê, de vereadores e secretários. São visitas simpáticas, que prestigiam o trabalho democrático da Boca Maldita de criticar as ações, ou falta delas, da administração pública. Porém, concretamente elas não têm surtido nenhum efeito. Promessas são feitas, repetidas, mas nada tem sido concretizado. As ruas da Cidade, toda Cidade, incluindo Penedo, Maromba e Maringá, continuam em estado precário de conservação, mal iluminadas e sujas. Um problema que parece ser crônico em Itatiaia. Dá a impressão que as autoridades públicas não vivem na Cidade. Passam pelas ruas e nada vêem. E já se acostumaram ao mau cheiro da Cidade. “Assim – dizem os integrantes da Boca Maldita – a gente não vai parar de meter o malho nunca!”.
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