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JUVENTUDE AMEAÇADA
11/03/2010

Parece que não há lugar no Brasil onde a juventude não esteja correndo riscos. Em todos os cantos desse país são muitas as portas que se abrem para o vício. Tanto nas Capitais como nas Cidades do Interior este desastre social que condena gerações ao fracasso, começa sempre da mesma maneira: o primeiro gole, que desperta o prazer imediato e suspende a inibição diante dos amigos. O álcool, considerado como droga leve em comparação com outras como a cocaína e o crack, continua comercializado livremente. Um produto que ocupa farto espaço no mercado publicitário e seduz e encanta cada vez mais cedo os adolescentes.

Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com 63 mil estudantes de escolas públicas e privadas, nada menos que 70% dos alunos entre 13 e 15 anos admitiram ter experimentado bebida alcoólica. Em relação a drogas ilícitas, o índice encontrado foi de 9%, no Interior, e de 20% nas Capitais. 

Em plena vigência da Lei Seca, quase 20% dos adolescentes que afirmaram já ter bebido, declararam que depois das baladas frequentemente são conduzidos de volta ao lar em automóveis dirigidos por um amigo alcoolizado. Um dado importante, que só reforça a presença ostensiva da fiscalização para a aplicação da Lei Seca como forma de prevenir acidentes e mortes provocados pela perigosa combinação entre álcool e o volante. De acordo com o IBGE, mais de 43% das mortes de indivíduos entre 10 e 14 anos acontece em acidentes de transporte.

Com os olhos atentos nas Cidades da região das Agulhas Negras, tem sido comum observar nas madrugadas, menores com latas e garrafas de bebida na mão no interior dos veículos em movimento, nos bares e nas lojas de conveniência dos postos de gasolina – embora seja crime, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, o fornecimento a menor de 18 anos.

O uso abusivo das drogas leves e pesadas, que há bem pouco tempo era restrito às grandes Capitais, invadiu o Interior, que se transformou em terreno fértil para sua proliferação. E o pior é que não conseguimos enxergar nas administrações públicas do Interior, nenhuma ação clara que visa a inibir esta prática. Não há fiscalização punitiva e, muito menos, investimentos em programas de educação preventiva.

Tomo como exemplo as Cidades da região das Agulhas Negras onde cresce vertiginosamente o uso de droga pesada entre os jovens. Um quadro de juventude largada. Presa fácil para os que traficam. Nenhum passo para reverter este quadro tem sido dado. Nem mesmo o de transformar o uso da bebida alcoólica em alvo das restrições feitas ao cigarro, com um forte apelo de comunicação sobre os malefícios do álcool sobre o organismo. É preciso criar programas educacionais de resistência às drogas, formar e depois espalhar pelas comunidades e no ambiente escolar, agentes multiplicadores.
Ações como estas foram prometidas nos palanques e depois, como tantas outras, esquecidas.

Um antigo morador de Itatiaia, Cidade da região das Agulhas Negras, me enviou uma pergunta, que me motivou escrever sobre este assunto. Por que o desinteresse da classe política pelo combate às drogas? Realmente é difícil compreender a indiferença tanto do Legislativo quanto do Executivo para uma questão que provoca danos irreparáveis a famílias inteiras de eleitores. Mas há uma explicação, identificada no discurso de alguns parlamentares que pisam em ovos quando falam sobre o tema: o combate às drogas, segundo eles, limita o espaço de campanha e não sensibiliza a fatia jovem do eleitorado, cada vez mais entregue a própria sorte. Ou seja, o candidato que condena o uso das drogas, não consegue circular livre e com segurança e ainda recebe o incômodo rótulo de ultrapassado.

O combate às drogas trata-se, portanto, de uma luta que envolve toda a sociedade, a começar pelos pais, pelas escolas e pelo Estado. Os danos psicológicos e sociais para os adolescentes que se iniciam tão precocemente na bebida vão seguramente refletir-se numa vida adulta conturbada, sem perspectiva, que pode ser ainda mais problemática e turbulenta se o álcool for apenas a porta de entrada para se chegar às drogas pesadas, um caminho quase sem volta. Há uma forte razão para o envolvimento tanto do Legislativo quanto do Executivo no combate sem tréguas ao uso das drogas: a juventude ameaçada pela bebida ameaça, por sua vez, a coletividade, ao produzir distúrbios de comportamento que resultam em violência, no aumento incontrolável da criminalidade e, mais adiante, fatalmente irão pressionar a demanda pelos serviços públicos de saúde.

DEPOIS DA CRISE 

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou recentemente em São Paulo, o estudo Emprego e oferta qualificada de mão de obra no Brasil: impactos do crescimento econômico pós-crise. Os dados reunidos no Comunicado do Ipea nº 41 estimam a demanda e a oferta de mão de obra no pós-crise no mercado de trabalho brasileiro, com informações nacionais, regionais e por unidade da federação que apresentam a geração de empregos setoriais.

Por meio do Comunicado, é possível saber quais os setores que mais demandarão e mais ofertarão oportunidades de ocupação neste ano. O estudo considera, ainda, que apenas uma parte dos trabalhadores em busca de ocupação está qualificada e tem experiência profissional para responder à demanda de postos de trabalho.

O documento é feito com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho e Emprego.

SOBRE PESQUISAS

Em seu blog, o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, tentou acalmar a oposição com relação ao crescimento nas pesquisas da ministra Dilma. Fiel ao estilo de provocador, Cesar apresentou seus argumentos: “as aparições de Dilma vão se sucedendo. Está aceitando convites para festa de 15 anos, batizado e inauguração de vestiário de futebol em clubes de várzea. Inclusive analisa a possibilidade de ser jurada em programa de calouros na TV, aos domingos. E sempre acompanhada de seu amigão, Lula”. E foi em frente: “por isso, os Institutos medem o potencial de crescimento de Dilma cruzando os que sabem que Dilma é candidata de Lula com as intenções de voto dos candidatos. Em 2009, o GPP fez pesquisas nacionais e foi fazendo estes cruzamentos. E o número foi se estabilizando em torno de 30%. Com isso, a projeção de cenários para 2010 já levava em conta esse patamar. Entre os eleitores que na época sabiam que Dilma era a candidata do Lula, ela tinha 30%. O que está aumentando não é a intenção de voto na Dilma e sim a base (percentual das pessoas que sabem que ela é a candidata do Lula)”. E concluiu: “não adianta a oposição achar que está tudo errado e bater a cabeça.  Está tudo dentro do esperado, acontecendo mais rápido devido à campanha de um só candidato”. É, pode ser. Mas os tucanos precisam descer do muro.

IGREJA DA PENHA

Corra e fotografe a Igreja da Penha antes que a especulação imobiliária ao tradicional bairro carioca tape a sua visão. A Prefeitura do Rio encaminhou à Câmara Municipal Projeto de Lei Complementar que altera os parâmetros do bairro. A justificativa: "um dos principais focos na elaboração daquele Decreto foi a preservação da paisagem da Igreja da Penha. A própria estrutura do Decreto deixa isto claro, porque a ‘Altura das Edificações’ é tratada em Capítulo especial, fora do Capítulo das demais ‘Condições das Edificações’. Embora não se possa creditar só à legislação a forma como se desenvolve uma região, talvez essa preocupação de preservação de uma visão ampla, de todas as direções da Igreja tenha redundado em remédio forte demais para o tamanho do problema, considerando-se que a região passa por um período de quase estagnação." Deu para entender. A preservação da visão ampla da Igreja da Penha, símbolo maior da zona norte, foi “remédio forte demais”. A sorte do prefeito Eduardo Paes é que “perdão foi feito pra gente pedir”.

NOVA IDENTIDADE

O governo brasileiro está dando um importante passo para o reconhecimento e utilização de assinaturas digitais no país. O Registro de Identidade Civil (RIC) conterá as principais informações sobre os documentos do cidadão em um único cartão, do tamanho de um cartão de crédito. O cartão será um smartcard que carregará também informações do certificado digital da pessoa, o que significa que, de posse do cartão, o indivíduo poderá assinar documentos eletrônicos, equiparados por lei aos documentos físicos.

DE OLHO EM RESENDE

Em campanha por um das cadeiras do Rio no Senado Federal, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) visitou Resende e foi recebido com festa pelos prefeitos do DEM, Rechuan e Jorge Serfiotis, Resende e Porto Real respectivamente. Na Câmara Municipal de Resende, Cesar Maia elogiou e foi elogiado. Sobre o prefeito anfitrião, Rechuan, Cesar referindo-se ao projeto Urbano Humano disse: “a sorte acompanha os ousados. É preciso governar pensando grande. A população de Resende não trocou seis por meia dúzia”. O prefeito Rechuan devolveu o elogio: “pode-se tranquilamente dividir a Prefeitura do Rio em antes e depois do governo Cesar Maia”. Devagar com o andor, prefeito Rechuan. O Rio continua lindo, mas com os problemas de sempre. Nada mudou.

DE OLHO EM ITATIAIA

Não gostou - O jovem e atuante secretário de Desenvolvimento Econômico de Itatiaia, Denilson Sampaio, não gostou nem um pouco da nota “Não há Vagas” publicada neste espaço semana passada. Reagiu irritado e apresentou números que justificam a sua irritação. O secretário nos informou por e-mail que o processo de desenvolvimento em andamento na Cidade está abrindo portas no mercado de trabalho para a população. Não é fato, portanto, que o município não esteja ganhando com este processo, pois entre as pessoas que se candidataram às vagas oferecidas pelas empresas que estão se instalando na Cidade, cerca de 80% foram aproveitadas. Os números falam por si e o secretário Denilson merece crédito. Ao contrário de participantes do mesmo governo, talvez insatisfeitos com o desempenho do jovem secretário. Mamar nas tetas do governo e criticá-lo por trás  é no mínimo desonesto. Portanto, “aliados” de plantão, pensem bem antes de atirar pedra no telhado do vizinho. Fica o registro.

A voz do povo 1– Esta informação não brota do ventre materno da Prefeitura de Itatiaia. Vem das ruas esburacadas da Cidade dos Buracos. Itatiaia está doente. A saúde vai mal, muito mal. A Prefeitura não se deu conta disso. Mas a população reagiu desesperada com a situação da saúde na Cidade. Pasmem, há quase um mês os usuários da rede pública de saúde de Itatiaia ficaram privados dos exames médicos de rotina.  Diante disso, um grupo de moradores começou um abaixo-assinado reivindicando que este importante serviço fosse restabelecido. E como o expediente do abaixo-assinado é o que funciona em Itatiaia, não deu outra: poucos dias depois,  os exames voltaram a ser realizados. O retorno dos serviços é uma obrigação, dever da Prefeitura. Mas deixar a população quase um mês sem os exames é uma crueldade!  Coitado de quem não tem plano de saúde.
Enfim, a população de Itatiaia descobriu o caminho das pedras: se houver problema na prestação de algum serviço público, é só fazer um abaixo-assinado, que a solução vem rapidinho. Mas cá pra nós, precisava chegar a este ponto?

A voz do povo 2 – Outro problema que não é novidade para ninguém e tem assustado muito a população de Itatiaia é a violência. É claro que não é uma exclusividade de Itatiaia o aumento da violência. Ela se espalha como erva daninha por todos os cantos. Sabemos que o combate à violência é um dever do Estado, mas entendemos que também é uma obrigação do município, que deve zelar pela segurança dos seus munícipes. Portanto, usar esta justificativa para ficar com os braços cruzados, não cola. E neste aspecto também a Prefeitura de Itatiaia tem deixado a desejar.  Semana passada, em pleno Centro da Cidade, uma casa lotérica foi assaltada, depois do expediente. Até agora a polícia não tem nem uma pista dos bandidos. O modesto comércio da Cidade está em pânico. Preocupa também à população, a quantidade de jovens e, até crianças – pasmem -, envolvidos com o crack, droga que destrói a saúde física e mental em tempo recorde. Como conseqüência, são estes jovens, envolvidos com a droga, que assaltam impunemente, pessoas, estabelecimentos comerciais e residências.
Para piorar, a precária iluminação pública colabora, facilitando a ação dos marginais. Não se justifica a Cidade continuar às escuras, quando desde o início do ano passado, a Prefeitura já publicou cerca de dez contratos, cada um na faixa de R$ 70.000 (setenta mil reais), todos com a mesma empresa, a Selles, justamente para realizar serviços de manutenção no parque de iluminação pública. Cabe uma explicação da Prefeitura, pois a empresa contratada já deu provas suficientes de que não tem honrado com o seu compromisso. Não se justifica, portanto, mantê-la sob contrato. E depois, não me venham dizer que o povo fala demais ou que é intriga da oposição.

Com Karla Fonseca e Fernanda Leal

 
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