O governador Sérgio Cabral se superou na justa defesa dos interesses do Estado do Rio de Janeiro. Talvez o governador não tenha mais condições físicas e nem emocionais para mobilizar tanta gente, em defesa do Estado, que ao longo da história vem perdendo prestígio e importância no cenário nacional, justamente por conta da sua frágil representação política, que a cada eleição piora. E é esta frágil representação política fluminense que já anda pedindo calma ao governador Cabral, que segundo ela, pisou fundo no acelerador em defesa dos royalties do pré-sal, colocando-a em posição desconfortável no Congresso Nacional. Que tal agora desviar o foco até baixar a temperatura desse debate oportuno? Não faltam ao Rio bandeiras mobilizadoras das massas. Nada mal se Cabral usasse a sua força contra os fichas sujas, a corrupção, pragas da política brasileira que permeiam as administrações públicas, Câmaras e Assembléias com a elevada colaboração do nosso Estado. Tenho minhas dúvidas se por estas bandeiras a classe política se mobilizaria, montaria palanques, derramaria lágrimas que não fossem as de crocodilo. O governador, tomado por forte emoção, afirmou que o Estado do Rio vai parar sem os recursos do pré-sal, não teremos a Copa do Mundo nem as Olimpíadas. Nossa! Não sabia que a situação do Rio de Janeiro fosse tão dramática assim. É terrível imaginar que o nosso Estado seja varrido do mapa se a divisão igualitária dos recursos do pré-sal – como propõe a famigerada emenda do deputado gaúcho do PMDB, Ibsen Pinheiro - se for aprovada também no Senado Federal. É bom lembrar que a exploração do petróleo das camadas profundas só acontecerá dentro de mais duas décadas. As raposas políticas do resto do país estão iradas com o que eles chamam de “encenação do Cabral”, que vai durar ainda alguns dias, até que o Senado Federal, cheio de “Rolandos Leros”, arranje uma maneira de dividir por todos Estados sem tirar de nenhum os recursos do pré-sal. Adivinhe quem vai pagar esta conta? A União... É claro. E nessa bola dividida o presidente Lula não vai entrar. “O problema do pré-sal é com o Congresso”, disse ele. O governador Cabral, que se irrita fácil e demonstrou ter pouca habilidade para negociar com os congressistas, tem que tomar cuidado para que a mobilização de hoje não se transforme em um tiro no pé. No pé do próprio Cabral, alvo do ex-governador Garotinho que nesse caso ainda não colocou o seu bloco na rua. O Congresso Nacional viverá dias quentes, até que o Senado Federal decida o destino da emenda Ibsen Pinheiro. Vetá-la ou não é com o presidente Lula. Convenhamos, uma dura tarefa, pois há um consenso entre os congressistas, exceto alguns do Rio e do Espírito Santos, de que as jazidas do pré-sal são da União e que os Estados não gastam recursos próprios na prospecção e produção do petróleo e que o sistema federativo implica em políticas públicas nacionais, tendo por foco que estamos em uma República brasileira e não de determinados Estado. Em situações como esta, melhor do que reunir soldados sem causa e os que se manifestam apenas em causa própria, porque não promover o diálogo, o debate sereno sobre a decisão da Câmara Federal que, com grande folga, aprovou uma emenda que contempla a melhor distribuição dos royalties, de maneira que o Rio não perca a fatia reclamada e que os outros Estados não fiquem chupando o dedo diante de tantos recursos que serão jorrados pelo petróleo do pré-sal. Há vários aspectos delicados nesse confronto entre Estados, alimentado em parte pelas características muito próprias de um ano eleitoral, quando candidatos tendem a dramatizar em busca dos votos. É o que faz Cabral quando clama choroso pelo veto do presidente Lula. O Rio de Janeiro é, de fato, uma fatia apetitosa do eleitorado brasileiro, pronta para ser saboreada pela candidata do governo à presidência, a ministra Dilma. Entretanto, não menos apetitosa é a fatia Norte e Nordeste, recheada de aliados fiéis do governo federal, que defendem intransigentemente a redistribuição de um bem que poderá contribuir para eliminar as profundas diferenças entre as regiões. Aliás, desejo do presidente Lula. Sob o ponto de vista dos parlamentares que defendem a divisão do bolo entre todos, há de se levar em consideração a lição histórica do êxodo dos excluídos para os grandes centros mais privilegiados – como Rio e São Paulo – em busca das condições que lhes são negadas em suas regiões de origem. Norte e Nordeste são, neste aspecto, as partes da Federação que precisaram no passado de políticas públicas diferenciadas, mesmo assim, continuam exportando cérebros e mão de obra para o Sudeste, exatamente pelo aprofundamento das diferenças que podem ser atenuadas através de emendas como a que a Câmara aprovou, por exemplo. Dada dimensão deste debate, vale à pena pensar em trocar a barganha e as lágrimas oportunistas pelo diálogo, para que o bom senso prevaleça. A PROPÓSITO O presidente não ficou nada satisfeito com a iniciativa do governador Cabral de mobilizar a população fluminense contra a divisão dos royalties do pré-sal. Lula teria dito a senadores da base aliada: “Cabral quer ser herói. Colocou fogo no ambiente em plena campanha pela reeleição”. VIDA PÚBLICA O senador Pedro Simon (PMDB/RS) continua pregando no deserto ético do Congresso Nacional. Ao comentar a desistência da vida pública manifestada pelo jovem deputado petista José Eduardo Cardozo (PT/SP), Simon lamentou que “a falta de ética da política atual faça com que gente séria como o deputado José Eduardo desista da vida pública”. Simon atribuiu ao alto custo das campanhas eleitoras “uma distorção provocada pelo abuso do poder econômico, favorecendo a corrupção e afetando a escolha democrática pelo voto popular dos representantes do povo”. É uma pena! O PODER PELO AVESSO Este é o título do novo livro da colega colunista Dora Kramer, que reúne nove anos de crônicas políticas. Um retrato dos avanços e retrocessos do Brasil nesse período e um texto inédito sobre o exercício diário do jornalismo. O lançamento em São Paulo será no dia 5 de abril, na Livraria Vila (Jardins), e dia 7 no Rio de janeiro, na Livraria Argumento (Leblon). “400 contra 1” É o nome do filme que conta a história do Comando Vermelho, patrocinado pela ANCINE, órgão do governo federal. “Este filme denuncia e repugna o público em relação a traficantes/homicidas, ou termina independente das intenções, por exaltar o Comando Vermelho? Como será a reação ao filme por parte de um público jovem morador em comunidades, e que tem contato compulsório com esta gangue?” São perguntas deixadas no ar pelo ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, em seu blog. POBRES NO MAPA O Banco Mundial diz que é preciso colocar pobres no mapa. O diretor-gerente do órgão, Juan Jose Daboub, lembra que 70 milhões de pessoas são adicionadas à população urbana global todos os anos, a maioria em nações em desenvolvimento. O 5º Fórum Urbano Mundial, no Rio de Janeiro, terá debate sobre os desafios do Brasil para a Copa do Mundo de 2014. O Banco Mundial pediu mais investimentos para melhorar o acesso à infraestrutura básica, serviços sociais e empregos nas cidades de países em desenvolvimento. Daboub deu o recado: “os governos precisam colocar os pobres do planeta no mapa”. DE PIRAÍ AO PAN NOS EUA A Escola de Ginástica de Trampolim da Prefeitura de Piraí, no sul fluminense, estará representada por quatro atletas no Campeonato Pan-americano da modalidade, que será disputado entre esta sexta-feira, 25 de março, e domingo, na cidade de Daytona Beach, nos Estados Unidos. Os ginastas de Piraí são Bruno Martini, ex-campeão mundial de duplo-mini, Edmon Vidal, Arthur Iotte e Neivaldo Neves, todos sob o comando da treinadora Shirley Arantes, da Escola de Piraí. O Pan-americano será a segunda competição de Bruno Martini este ano. No início de março, ele participou, como convidado especial, de um torneio internacional na África do Sul, mesmo país onde foi campeão mundial, e não decepcionou a expectativa em torno de sua apresentação. Bruno disputou duas provas no torneio sul-africano e conquistou duas medalhas de ouro. Os demais atletas de Piraí estarão fazendo sua estreia na temporada. DE OLHO EM RESENDE Nota 10 - A McLane Supply Chain Solutions, empresa que atua no ramo de soluções logísticas, concluirá em maio as obras de expansão do seu Centro de Distribuição no município de Resende, o que representa um investimento de R$ 45 milhões. A empresa, que atualmente, possui 130 trabalhadores, aumentará esse número com a contratação de mais 200 novos funcionários. A informação foi dada esta semana pelo secretário municipal de Indústria, Tecnologia e Serviços de Resende, Edgar Moreira Gomes. De acordo com o cronograma da própria empresa, a nova unidade ficará pronta no dia 15 de maio. Atualmente a empresa dispõe, no entreposto da Zona Franca de Manaus, em Resende, de uma área de armazenagem de 20 mil metros quadrados, composta por três armazéns que, juntos, oferecem capacidade para armazenar 30.500 metros cúbicos. Nota 0 – Esta coluna recebeu denúncias dando conta de que as verbas da Prefeitura de Resende não estão chegando aos jornais da região. E não é uma simples descriminação não. Debaixo desse angu tem caroço. E nós estamos de olho. JOÃO SEM BRAÇO? – De uma leitora de Resende que preferiu o anonimato, segue mensagem que em solidariedade publico-a na íntegra. “Sou o tipo de cidadã que, AINDA, acredita que um policial militar, um guarda municipal ou qualquer autoridade deste tipo, trabalha para resguardar a população, além de proteger os bens, serviços e instalações públicas”. “Sábado (20/03), saí do bairro Barbosa Lima, em Resende, às 15h e ao retornar, às 18h, percebi que o sentido do trânsito que dá acesso ao bairro havia sido modificado. Até aí, tudo bem. Segui então para o bairro, tentando fazer o tal novo caminho (com sinalização ainda precária). Ao chegar na esquina da Parada do Milho, avistei três guardas na esquina e resolvi seguir em frente. Só que, sem saber e por falta de uma sinalização clara, eu entrei na contra-mão. Um guarda jovem e educado solicitou que eu parasse o carro e me explicou que eu não deveria ter entrado ali e eu retruquei reclamando da sinalização confusa. Estava indo tudo bem, até que o colega de serviço deste jovem guarda, gritou da esquina: ‘ELA ESTÁ DANDO UMA DE JOÃO SEM BRAÇO PARA NÃO SER MULTADA’. Neste momento tive a certeza de que nem todos os guardas se enquadram no perfil de servidor público idealizado por mim, que acima de tudo preza o respeito ao próximo. Diante dessa intromissão desrespeitosa, minha reação foi dirigir-me educadamente ao intruso, da seguinte forma: ‘não sou João Sem Braço. Eu vi uma seta mandando virar à direita e foi isso que fiz’. E ele se calou”. “Agora pergunto aos responsáveis pela Guarda Municipal: ‘Se em três horas a direção do trânsito é modificada com sinalização falha e um cidadão erra o caminho, isso é motivo para multa? Um guarda municipal está nas ruas para insultar e julgar um cidadão que ele nunca viu na vida?’. Só terminando o caso, não fui multada, acredito que pelo fato de mais dois carros, logo em seguida, terem feito o mesmo trajeto que fiz e pelos motoristas terem dado a mesma explicação. Acredito que todo cidadão deve ser participativo e por isso deixei registrado esta reclamação na Ouvidoria da prefeitura. Quem sabe assim algo não melhore”. “Respeito ao próximo é uma coisa de berço, mas tem gente que esquece de exercitar em alguns momentos, sabe-se lá porque”. DE OLHO EM ITATIAIA Do leitor - Recebi do leitor e amigo Ualace Amado, morador de Itatiaia, interessante comentário sobre o artigo da coluna passada Juventude Ameaçada. Segue na íntegra. “Meu caro, acabei de ler a sua coluna. Gostei muito dos temas abordados e em especial a relação dos jovens com as drogas. O que me chama a atenção aí é a necessidade que esta conjuntura traz na sociedade de se ver cada vez mais tutelada pelo Estado. A mim, me parece óbvio que, ainda que não haja ninguém melhor para conhecer, dialogar e educar os seus filhos do que os seus próprios pais, ainda que consideremos a crescente inserção da mulher no mercado de trabalho nas últimas três ou quatro décadas”. “Veja, se começarmos a pesquisar este tema, a despeito das condições sócio-econômicas da família brasileira, veremos jovens que crescem e se desenvolvem de uma maneira saudável em lares equilibrados, onde as relações, mesmo nos momentos mais difíceis, se caracterizam pela harmonia. Por conseqüência, há uma maior probabilidade de jovens conflitantes em lares conflitantes. Parece redundante, mas às vezes é preciso ser dito”. “Outro dia, por ocasião do assassinato do aluno da UFRPE, filho de lavadeira no Recife, vi um debate na Globo News em que o Caco Barcelos trouxe um dado que me chamou a atenção, qual seja, a “orfandade” dos filhos de babás, ou seja, em função da necessidade de sobrevivência, os filhos do asfalto, segundo esta visão, teriam duas mães e os filhos do morro não teriam nem mesmo a sua própria mãe, considerando uma jornada de trabalho de segunda a sexta, dormindo no emprego”. “Como te disse outro dia, estou cada vez mais consciente de que a política repressiva, em se tratando de segurança pública especificamente, está fadada ao declínio. Ela não resolve, ao contrário, nos traz outros problemas. a título de ilustração, pense uma situação em que o pai de família tem a sua filha estuprada e morta. Momentos depois, o Estado lhe diz que o réu foi julgado e condenado a prisão perpétua. Aí eu te pergunto: resolveu o problema deste pai? Trouxe a sua amada filha de volta? Claro que não”. “Por aí, só posso pensar em políticas integradas. Não existe o assunto exclusivo da segurança, da saúde ou da educação. Existe o assunto do Estado e aí precisa ele, atuar de maneira integral”. “Desde que o mundo é mundo, que adolescentes bebem, fumam, etc. o equilíbrio desta relação quem tem que dar é a família. A partir da sua presença, da sua coerência com seu conjunto de valores, numa palavra, a partir da sua história”. “Jogar esta decisão nas costas do estado e/ou do credo religioso é terceirizar a responsabilidade cidadã e familiar”. Do sindicato – O Sindicato dos Funcionários Públicos de Itatiaia está P da vida com o prefeito da Cidade, Luis Carlos Ypê. Membros do sindicato estudam até a possibilidade de fazer o sepultamento simbólico do prefeito no buraco que leva o seu nome no bairro Jardim Itatiaia. Além disso, o sindicato está disposto a denunciar criminalmente o prefeito Ypê por crime contra a organização sindical, é o que diz o e-mail enviado a esta coluna. E diz mais: “desde maio do ano passado (processo administrativo 3186/09) o Sindicato vem tentando junto ao Prefeito de Itatiaia o restabelecimento do desconto em folha de pagamento da mensalidade sindical autorizada pelos servidores filiados ao Sindicato, no entanto até a presente data o desconto não foi restabelecido, mesmo com decisão da justiça em favor do Sindicato. O Sindicato entende que a atitude do Prefeito em não efetuar o desconto em folha da mensalidade sindical, mesmo com decisão judicial determinando que seja feito o desconto, visa única e exclusivamente enfraquecer o movimento sindical, ou seja, a atitude demonstra um claro atentado contra a organização dos trabalhadores (crime este previsto no código penal). O Sindicato também irá comunicar o Juiz da Comarca de Itatiaia o não cumprimento da decisão Judicial”. Está dado o recado. Novo slogan – Brincadeira de mau gosto? Não sei. Mas o pior é que ganha força um novo slogan atribuído à Itatiaia, espalhado pelos carros de moradores revoltados com o abandono e a decadência da cidade: “Itatiaia a cidade dos buracos”. E tem gente que pensava que buraco mesmo na Cidade, só o que leva o nome do prefeito: o Buraco do Ypê. Ledo engano. O Buraco do Ypê pode ser o maior, o mais visitado, o mais charmoso, mas está longe de ser o único. O adesivo “Itatiaia a cidade dos buracos” foi visto até circulando nas ruas do Rio. A oposição não perdoa e faz a sua intriga, atribuindo a devagar quase parando secretaria de Turismo de Itatiaia esta propaganda de divulgação da Cidade às avessas. É... Pode ser. Com Fernanda Leal e Larissa Liv Vasques
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