Estava decidido por um bom tempo não mais falar sobre as mazelas de Itatiaia neste espaço maior da minha coluna. Temia ficar marcado como uma pessoa que tivesse má vontade com os dirigentes públicos do local onde vivo. E mais que isso: achava que os meus ácidos – e merecidos - comentários sobre a minha Cidade não estariam despertando o interesse dos leitores que vivem em outros municípios do Estado do Rio de Janeiro, navegadores do site da Agência Rio de Notícias. Ledo engano. “Os problemas de Itatiaia são os mesmos da maioria dos municípios do Estado: a má qualidade da representação política que a população escolhe a cada quatro anos”, disse-me por e-mail, leitor André Coutinho de Itaperuna. O comentário do André me deixa à vontade para continuar falando de Itatiaia, certo de que desordem urbana e administrativa não é uma exclusividade da minha Cidade. A classe política, a verdadeira promotora dessa desordem, é igual aqui, ali e acolá. Mas, lembrou bem o leitor André: “este quadro só mudará, quando a população não mais ceder ao discurso fácil e falso e às benesses oferecidas pelos donos do poder”. Está vendo só, o André não fala só pelo seu município, Itaperuna. É ou não é assim também na Cidade onde você vive? Mas não é fácil para a maior parte da população identificar no discurso o político que no poder vai usar a função pública com o único objetivo de transformar a sua vida e não a do seu município. Os exemplos são fartos de vereadores, prefeitos, secretários etc, que ao final do seu mandato apresentam uma evolução patrimonial meteórica, inconcebível. Ao passo que o município que contou com o seu “serviço” continua em franca decadência. O Estado do Rio de Janeiro está cheio de municípios pobres com classe política rica. E os municípios, especialmente aqueles decadentes, coincidentemente estão cheios de pessoas despreparadas, ética e intelectualmente, ocupando função pública. Isso explica, em parte, a omissão das administrações municipais e a inoperância das Câmaras Municipais, cujos integrantes não sabem o quê e como fazer as coisas. E sem a fiscalização atenta da população cometem deslizes que comprometem o caixa das prefeituras e a vida dos munícipes. O desinteresse da população em reagir contra este estado de coisas abre espaço e aduba o terreno para a ação desonesta dos políticos, que loteiam os espaços das Cidades onde atuam. E pior: dominam as siglas partidárias, dificultando o acesso de pessoas sérias no universo político da sua Cidade. Este quadro nos remete a um tema da maior importância: a desilusão com a política, que está longe de ser uma exclusividade dos municípios do Rio de Janeiro. É um fenômeno que se espalhou por todo o país. Alguns políticos sérios anunciam que estão encerrando carreira e isso é tremendamente preocupante. O sentimento desses parlamentares é a desilusão, com depoimentos que devem levar toda a sociedade a uma profunda reflexão. O elemento comum a todas as pessoas indignadas é a força do poder econômico que inevitavelmente nos leva a uma só pergunta: se os bons vão embora, o que fica? Essa pergunta tem um sentido agudo de urgência urgentíssima e exige uma revisão profunda para dar um novo rumo à política brasileira. Um debate que não interessa ao político que faz da função pública um emprego e do mandato um instrumento de promoção pessoal e enriquecimento. Esse clima de desilusão com a atividade política representa uma preocupação a mais não só para o futuro das Cidades onde vivemos, mas da Nação. Procurar uma saída para esta situação dramática deve ser uma obrigação de todos. Não há como falar em cidadania se recusamos o dever de contribuir para a depuração da atividade política, e isso só pode acontecer se depositarmos o voto em pessoas com história pessoal de retidão e compromisso com a ética. Aí é onde entra um dos componentes mais graves desse processo de degradação da atividade política: grande parte dos eleitores brasileiros não dá essa contribuição. Faz o jogo dos poderosos vendendo o seu voto por migalhas, que calam a sua voz. Por outro lado, torna-se penoso para um político decente ter que conviver com colegas de parlamento, ou participar de quadros executivos sob suspeita, sabendo que divide espaço e tribuna com fichas-sujas, elementos com graves ações na Justiça, e até mesmo com a inutilidade de sessões que muitas vezes não levam a nada – como acontecem nas tediosas Casas de Leis país afora, onde na maioria das vezes se discutem coisas sem importância. Se no seu município você escolher melhor o seu representante para o Poder Executivo e Legislativo, já estará prestando um relevante serviço ao Brasil. A CAMINHO DA DESILUSÃO POLÍTICA - Sem tirar nem por, segue pequeno artigo do deputado Ciro Gomes (PSB/CE), divulgado depois que a cúpula do seu partido lhe puxou o tapete, desistindo de lançá-lo candidato à Presidência da República: “A cúpula de meu partido, o PSB, decidiu-se por não me dar a oportunidade de concorrer à Presidência da República. Esta sempre foi uma das possibilidades de desdobramento da minha luta. Aliás, esta sempre foi a maior das possibilidades. Acho um erro tático em relação ao melhor interesse do partido e uma deserção de nossos deveres para com o País”. “Não é hora mais, entretanto, de repetir os argumentos claros e já tão repetidos e até óbvios. É hora de aceitar a decisão da direção partidária. É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso País!” “Quero agradecer, muito comovido, a todos os que me estimularam, me apoiaram, me ajudaram, nesta caminhada da qual muito me orgulho.” “Quero afirmar que uma democracia não se faz com donos da verdade e que, se minhas verdades não encontram eco na maioria da direção partidária, é preciso respeitar e submeter-se à decisão. É assim que se deve proceder mesmo que os processos sejam meio tortuosos, às vezes”. “É o que farei”. “Deixo claro: acato a decisão da direção do partido. Respeitarei as diretrizes que, desta decisão em diante, devem ser tomadas em relação ao nosso posicionamento na conjuntura política brasileira”. “Meu entusiasmo, e o nível de meu modesto engajamento, entretanto, compreendam-me, por favor, meus companheiros, irão depender do encaminhamento, pelo partido, de minhas preocupações com o Brasil, com nossa falta de um projeto estratégico de futuro, com a deterioração ética generalizada de nossa prática política, com a potencial e precoce esclerose de nossa democracia”. “Agradeço novamente aos companheiros de partido pelo apoio que sempre me deram. Faço também um agradecimento especial ao povo cearense pelo apoio de todas as horas; mas minha lembrança mais grata vai para o simpatizante anônimo, para o brasileiro humilde, para a mulher trabalhadora, para os jovens, em nome de quem renovo meu compromisso de seguir lutando!” POLÍTICA E JUVENTUDE - Juventude alienada é coisa do passado. No início dos anos 80, preocupava a tímida participação dos jovens nas manifestações políticas de rua e nas campanhas eleitorais. É claro que desestímulo à participação do jovem aconteceu muito por conta da falta de canal de acesso livre aos partidos políticos, nas mãos das velhas raposas felpudas. A Internet quebrou esta obstrução. Implodiu a velha máquina partidária, dando vez e voz à juventude. Com a participação livre, sem barreiras, os jovens voltaram a dar o dinamismo que o processo político necessita. Os partidos que entenderam esta mensagem estão conectados com o futuro e, é claro, contaram com esta fatia crescente do eleitorado nas próximas eleições. DROGAS - De Quatis, discreto município da região das Agulhas Negras, vem uma boa notícia: o interesse pelo debate sobre o uso das drogas, que hoje se espalha como erva daninha por todo o Interior do Estado do Rio. Um grupo de trabalho ligado à secretaria de Assistência Social está discutindo a questão das drogas no município. Por que não ampliar o debate, incluindo as prefeituras vizinhas. O combate as drogas é um questão de saúde pública e, por isso, precisa da união de todos. A iniciativa da Prefeitura de Quatis de realizar um evento cujo tema é “Políticas Públicas de Combate e Prevenção ao Uso das Drogas” é louvável, mas não deve se restringir ao município. Resende, Itatiaia e Porto Real, municípios colados à Quatis vivem o mesmo drama, em escala ainda maior. RIO MORTO - Diante da histórica omissão do poder público com o simpático bairro carioca Vargem Grande, em acelerado processo de decadência, um grupo de moradores dos condomínios localizados da Estrada do Rio Morto inicia uma ação cidadã com o objetivo – audacioso, por sinal – de ressuscitar o Rio Morto. A agonia do Rio Morto é apenas um dos problemas do bairro, que na última enchente no Rio deixou seus moradores ilhados. Vamos ficar de olho nas promessas da Prefeitura para recuperar este espaço bucólico do Rio. DE OLHO EM RESENDE
Transporte - Moradores da Grande Alegria reclamam da falta de ônibus no bairro. Os poucos que circulam não cumprem os horários. Resultado: crianças e idosos estão condenados ao sacrifício, durante horas parados nos pontos. Doloroso para uma Cidade que usa como slogan “Aqui a gente vive”. Segurança – Em boa hora o prefeito de Resende, José Rechuan, coloca em pauta a questão da segurança pública. No encontro com autoridades policiais que atuam no município o prefeito quis saber o que tem sido feito em termos de policiamento ostensivo e investigação criminal. A violência em Resende já atingiu um nível preocupante. A Prefeitura, para garantir a tranquilidade dos munícipes, tem que agir de rápido, buscando a parceria do Estado, ao qual cabe a segurança da população, para manter o controle da Cidade, comprometido diante do acelerado crescimento da violência, cujos casos já não são apenas pontuais. DE OLHO EM ITATIAIA
IPTU – A Prefeitura de Itatiaia já começou a distribuir os famigerados carnês do IPTU de 2010. Em Itatiaia, os carnês chegam sem data certa e quando chega, bagunça as finanças do contribuinte. Este ano, quando o morador de Itatiaia abriu sua caixa de correio e deu de cara com o carnê, quase enfartou. Em Penedo tem gente em pânico com o injustificável e absurdo aumento do IPTU, cobrado por um injustificável município. Mas não tem jeito. O jeito é pagar e cobrar a aplicação correta desses recursos. O cidadão tem o direito de saber qual o caminho que esses recursos percorrem. Mas afinal, para que serve o dinheiro arrecado pelo IPTU? Se for do seu interesse saber quais as melhorias urbanas vinculadas diretamente à arrecadação deste imposto, a resposta pode ser: serve para nada. Sob ponto de vista da legislação, o IPTU, como os demais impostos, serve para custear a máquina pública. No caso de Itatiaia, obesa e improdutiva. Quer dizer: todos os impostos, inclusive o IPTU, formam uma caixa única, e são direcionados percentualmente para cada um dos setores da administração pública, conforme prevê a legislação tributária. Portanto, mente o prefeito que diz que o recurso do IPTU será investido no asfalto da sua rua, na saúde pública, na educação etc. Essa grana se soma às outras fontes para bancar o custo das prefeituras com um todo. Uma Prefeitura com excesso de secretarias e cargos comissionados, evidentemente não terá recursos para pagar melhor seus servidores, seus professores, para manter funcionando adequadamente o hospital público e muitos outros serviços básicos. Não é o cara - Enquanto o Presidente Lula goza de enorme popularidade e prestígio internacional, circula em Itatiaia uma pesquisa que coloca em baixa junto à população o prefeito Luis Carlos Ypê. Sua rejeição, segundo esta pesquisa, é de 78%. Se o prefeito Ypê está longe de ser o cara, o mesmo não se pode falar do seu secretário de Desenvolvimento, Denilson Sampaio, uma estrela solitária na administração de Itatiaia. Da sua secretaria chegam notícias alvissareiras que nos permitem sonhar com a possibilidade de futuro melhor para Itatiaia. Sua atuação, embora seja uma personalidade discreta, é tão marcante que parece que a Prefeitura de Itatiaia tem apenas uma secretaria, a de Desenvolvimento, que concretamente realiza as coisas e aos poucos vai mudando o perfil econômico da Cidade. O jovem secretário Denilson Sampaio vem demonstrando que reúne condições para ser o candidato do Partido Popular, o PP, à sucessão do prefeito Ypê, que não demonstra entusiasmo com a reeleição. Quem viver... Verá! Quem ri por último... – Com quase 22 anos de vida o município de Itatiaia ainda não se justificou como tal. Continua um distrito – e não mais que isso - completamente dependente do município-mãe Resende. A emancipação, concretizada graças ao trabalho de oportunistas de olho nos cargos e salários do novo município, não aconteceu até agora. Diante desse quadro incontestável e irreparável, engatinha em Itatiaia um movimento com o objetivo de defender a reintegração de Itatiaia ao município de Resende. Nada mais justo. O curioso é que a sigla do nome do movimento forma uma palavra muito agradável: RIR, um exercício facial ausente no rosto dos moradores de Itatiaia. Seja bem vindo RIR - movimento de Reintegração de Itatiaia a Resende. Com Karla Fonseca e Fernanda Leal |