Dá a maior inveja quando a gente vê em outros países a população bebendo água direto das torneiras, segura de que nada de mau lhes acontecerá. Por que nas cidades brasileiras o mesmo não acontece? Não é simples responder a esta pergunta e isso explica a presença abundante dos garrafões de água mineral que circulam no país. É o negócio da água ocupando o espaço vago por conta da absoluta ausência de políticas públicas direcionadas à qualidade de vida da população. Discutir este tema é sempre oportuno, ainda mais agora em que pesquisadores brasileiros propõem nova metodologia para análise da pureza da água no Brasil. Nunca é demais lembrar os desastres causados pelo consumo de água sem o tratamento adequado. Recentemente na região das Agulhas Negras, mais precisamente no município de Itatiaia, a falta de controle da pureza da água causou a contaminação de muita gente, lotando o hospital público da Cidade e dos municípios vizinhos. Ficam, portanto, evidente que sob o ponto de vista técnico há necessidade urgente de se adotar políticas públicas para melhorar o controle da água na região. Água é qualidade de vida e o seu tratamento não deve ser negligenciado. Nesta questão, a realidade brasileira está distante da japonesa, por exemplo, mas a comparação pode nos apontar o caminho a ser seguido. Como o da Cidade de Yokohama, cuja política de controle de qualidade da água segue uma regra fundamental: “A água da torneira não pode causar efeito maligno na saúde das pessoas. São estabelecidos padrões de qualidade para garantir a saúde da população e a sua necessidade de utilização no dia-a-dia, como não pode ter cheiro estranho ou manchar roupas se utilizada para suas lavagens”. Um problema complexo tratado de maneira singela. E olha que Yokohama está longe de ser uma cidadezinha como as do Interior do Rio de Janeiro. É uma metrópole com mais de três milhões e meio de habitantes, que realiza até testes diários obrigatórios em mais de cinquenta lugares do município. E mais, informa o governo de Yokohama: “para averiguar se o controle dos processos do tratamento de água está adequado para sempre obter uma água boa e segura, são realizados quatro testes por ano dos padrões e controle de qualidade da água”. Todo dia são investigados micro-organismos que podem causar doenças e itens como grau de turvamento, cor, odor e sais depositados. Não dá para comparar a qualidade da nossa água com a do Japão e, muito menos, o compromisso dos homens públicos dos dois países com relação à qualidade de vida da população. Para a realidade brasileira, a preocupação japonesa com a água que consome diariamente está em um patamar ainda fora do nosso alcance. No Brasil, as atenções dos administradores públicos estão mais voltadas para as questões mais sociais – e os dividendos decorrentes - e menos técnicas, como o atendimento com água de boa qualidade para consumo humano nas zonas rurais ou, nos grandes centros, de alagados, cortiços, favelas. Mas por que não trazer para o nosso cotidiano, esse problema – que está entre os mais graves de nossos tempos? Todo o projeto com este objetivo só terá sucesso se envolver permanentemente os gestores públicos e a população em um grande pacto de ajuda mútua. Afinal, a sociedade faz parte do processo de degradação dos mananciais, comprometendo a qualidade da água que consumimos. Talvez falte aos nossos administradores públicos competência, coragem, ou as duas coisas juntas, para discutir olho no olho com a população uma saída para este problema que não exclui nenhum segmento social. Quem vive em Itatiaia como eu - onde não se paga pelo consumo da água - tem a obrigação de se preocupar com a água que consome cuja qualidade deixa muito a desejar. E por considerá-la fundamental para a vida, admitir pagar pelo seu consumo e, em troca, exigir como direito do consumidor um produto de boa qualidade. Virou tabu em Itatiaia falar em cobrança pelo consuma d’água. Criou-se um impasse. A população, com toda razão, não deseja pagar por uma água que causa danos a sua saúde. Os políticos fogem do assunto como o diabo da cruz. Entre a população e a sua representação política apenas uma coisa em comum: ambos não demonstram a clara intenção de cumprir integralmente a Declaração Universal dos Direitos da Água, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), onde está visto que a água não é uma doação gratuita da natureza, tem um valor econômico, é rara e pode escassear em qualquer região do mundo. Sua utilização implica respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Enquanto não se chega a um acordo e a água de Itatiaia continua jorrando sem controle, nada mal se a Prefeitura introduzisse na íntegra o conteúdo desta cartilha da ONU, como prática diária nas escolas, evitando assim que as gerações mais jovens cometam os erros dos mais velhos. O eleitor e a religião – O blog do ex-prefeito do Rio César Maia divulgou uma pesquisa sobre o perfil religioso do eleitor do Estado do Rio de Janeiro. Esta pesquisa seguramente vai orientar o candidato, dando dicas para o seu discurso aqui, ali e acolá. Em todos os cantos do Estado, o eleitor Católico é a maioria. Rio-Capital: Católicos 55%, Evangélicos 21%, Espíritas 8%, Sem Igreja 15%, Outras 1%. Niterói: Católicos 55%, Evangélicos 35%, Espíritas 8%, Sem Igreja 16%, Outras 1%. Novaa Iguaçu: Católicos 42%, Evangélicos 35%, Espíritas 4%, Sem Igreja 18%, Outras 1%. São Gonçalo: Católicos 45%, Evangélicos 33%, Espíritas: 3%, Sem Igreja 18%, Outras 1%. As águas de Abril – Ainda sobre a chuva que caiu impiedosa sobre o Rio de Janeiro no início de Abril, a leitora Marina Moura, moradora em Vargem Grande, na Estrada do Rio Morto, enviou o seguinte comentário: “O temporal traumatizou o carioca. O trânsito, que já era ruim, piorou muito. O sistema de transporte parou. Os buracos nas ruas e estradas ficaram inevitáveis. Um caos total. É difícil descrevê-lo com riqueza de detalhes. Acredito que surgirá um novo distúrbio psicológico entre os cariocas: “pânico de chuva”. Semana passada, vivi esta experiência. Fui acometida dessa terrível pânico. Ao observar o céu carregado, antes do término do meu expediente normal de trabalho, peguei minhas coisas e sai correndo, com medo de ter que dormir na rua”. “Longe de estarem preparados para as enchentes, os bairros Vargem Grande e Pequena foram os mais afetados pelas chuvas de Abril, na Zona Oeste. Nós, moradores, ficamos literalmente ilhados por quase três dias. Contribuiu para esse caos, é claro, a histórica ocupação irregular do solo desses bairros, esquecidos pelo Poder Público. Bairros que cresceram sem estrutura a revelia da ordem pública”. “Hoje percebo que a situação está voltando à normalidade no bairro. Especialmente na Estrada do Rio Morto por conta da limpeza que está sendo feita pela Prefeitura no Rio Morto. Ressalte-se que foi preciso a mobilização da população local, em especial dos moradores dos condomínios localizados próximos ao rio, para que isso ocorresse. Esta limpeza aos poucos foi revelando uma paisagem, escondida há anos: um espelho d’água brilhante, límpido, que atraiu patos, garças, peixes e deu vida ao local. Uma imagem linda, que não pode ser perdida, ignorada. E para que isso não aconteça, a limpeza do rio é apenas o primeiro passo. Muito mais precisa ser feito. Desde a permanente manutenção ao trabalho persistente de conscientização da população. A presença do Poder Público é muito importante nesse processo de recuperação e organização desse pedaço encantador do Rio, que está perdendo o seu charme pela falta de saneamento básico e, fundamentalmente, pelas invasões impunes praticadas por segmentos diversos da sociedade”. “Parabenizo as pessoas envolvidas no trabalho sério e de qualidade que está sendo realizado na Estrada do Rio Morto. Mas a luta continua!” Cultura do Médio Paraíba – No dia 15, sábado, no município de Piraí, Artistas, produtores e agentes culturais, entidades ligadas ao setor e gestores públicos da região participam da Conferência Cultural da Região do Médio Paraíba. A Conferência será realizada das 9h às 17h, no Colégio Estadual Affonsina Mazzillo Teixeira Campos (CEAMTEC), que fica na Rua Roberto Silveira, nº 52, no Centro. O objetivo é aprofundar o diagnóstico inicial do setor, elaborado a partir dos Encontros Regionais de Cultura realizados recentemente em todo o Estado. Esse diagnóstico apontará potencialidades e carências, informação que subsidiará propostas com vistas à melhoria efetiva do cenário da cultura fluminense. Ao final deste processo, inédito na história da cultura no estado, as propostas do Plano Estadual de Cultura serão consolidadas em um projeto de Lei Estadual da Cultura. Organizada pela Coordenadoria do Plano Estadual de Cultura, a Conferência terá, além de debates em torno das necessidades de cada município da região, palestras de José Leon, do CODECAN; Ana Lúcia Furtado, do CONCICLO & Café, Cachaça e Chorinho; Ana Seraphim, (História da Região) e Marcelo Bravo (Rede de Cultura do Sul Fluminense). De olho em Itatiaia – O absurdo e injustificável aumento do IPTU cobrado pela não menos injustificável Prefeitura de Itatiaia continua gerando polêmica. E que polêmica. O prefeito Ypê e alguns de seus secretários percorreram bairros da Cidade para falar das razões do aumento. Não convenceram até o mais ingênuo morador da pacata Itatiaia. Em coro a população respondeu: “Pagar por quê? Por que pagar? Decididamente a população não encontra justificativa plausível para o aumento. Logo após a distribuição dos famigerados carnês, recebi puxões de orelhas de dezenas de leitores de Itatiaia por e-mail. Todos desaprovaram a sugestão que dei na última coluna: “não tem jeito. “O jeito é pagar e cobrar a aplicação correta desses recursos”. A propósito dessa infeliz sugestão, publico na íntegra o e-mail do leitor Samuel Grijó que trata o assunto com responsabilidade e conhecimento: “Meu prezado Mario Moura, acompanho sua coluna na Agencia Rio Notícias. Hoje, li sua postagem de 03/05/10. Para minha surpresa deparo com sua afirmação: "Mas não tem jeito. “O jeito é pagar e cobrar a aplicação correta desses recursos”. Peço vênia, meu prezado. Há sim um jeito. O aumento ocasionado para majoração absurda da Planta de Valores é imoral. Não há justificativa plausível para tal ato. Se você acompanhou a reunião realizada na sede da Associação do jardim Itatiaia na quinta-feira, ouviu comentarem que o aumento se deu em razão da "valorização" dos imóveis (?) e que "há dez anos não se aumenta o IPTU em Itatiaia". Absurdo acreditar em tamanha disparidade. Basta pegar o seu carne do ano 1999 e deste ano que você verá um aumento na casa de 395,7%, considerando-se que a inflação no mesmo período foi de 127% (IGP-M), rendimentos de poupança neste mesmo período de 126,75%. Como não houve aumento?” “Considere que somente este ano, o aumento do ITU em relação ao ano anterior aumentou de 40% a 200% para propriedades prediais (segundo informações de recebemos de diversos contribuintes - no nosso caso particular subiu 69,91%, prediais e 169,12% para imóvel territorial - compare com inflação dos últimos dez anos)”. “Há jeito sim. Podemos recorrer a Justiça, podemos gritar contra este aumento abusivo, só não podemos aceitar calado. Estamos diante de um situação gritante de insegurança jurídica. O Poder Público não pode aumentar preços ao seu bel prazer. Para se corrigir Planta de Valores a sociedade precisa ser ouvida. Há muitos detalhes técnicos a serem considerados. Duvidamos que a PMI tenha uma análise profunda sobre o assunto”. “Caso queira maiores detalhes, poderei lhe passar. Ajude-nos divulgando, através de suas colunas, a verdade”. Com a palavra, a Prefeitura. Mas sem mentirinhas. Com karla Fonseca e Fernanda Leal |