Meus seis ou sete fiéis leitores têm acompanhado os comentários que tenho feito aqui por semanas consecutivas sobre o distanciamento entre o Estado e a Nação, por conta das diabruras dos mais diversos calibres e categorias cometidas pelos ocupantes de cargos-chaves do governo, seja no Executivo, no Legislativo ou mesmo no Judiciário, que se traduzem sistematicamente em prejuízo financeiro dos cidadãos. Tenho criticado de forma veemente a sede com que o Estado procura se apropriar da renda dos cidadãos pela via de aumento indiscriminado de impostos e taxas, cuja demonstração mais clara foi a forma obstinada com que os partidos da base governista brigaram pela manutenção da famigerada CPMF, um verdadeiro assalto à bolsa daqueles que sustentam o apetite feroz desses políticos, ou seja, nós os cidadãos. Agora mesmo estamos acompanhando mais um capítulo da novela do descaso que a malta que se encastelou no Palácio do Planalto e adjacências dedica aos plebeus. Portadores de um objeto com poderes quase mágicos - os cartões de crédito corporativos - essa verdadeira súcia de protegidos do poder engorda seus já gordos salários comprando de tapioca a bichos de pelúcia ou efetuando saques em dinheiro em caixas eletrônicos por todo o território nacional com os tais cartões corporativos. Uma festa. Aliás, se perguntarmos a um cidadão comum se ele sabe o que é cartão corporativo, a resposta provavelmente será semelhante à letra do samba interpretado por Zeca Pagodinho: "Você sabe o que é caviar? Nunca vi nem comi, eu só ouço falar". Pois é, o plebeu comum só conhece cartão corporativo de ouvir falar. O pior é que, para tentar impedir que alguma investigação consiga apurar o montante desse desfalque escandaloso (se é que isso é possível. Eu, pessoalmente, acho que os valores que têm sido divulgados não são mais do que uma parcela mínima da ponta do iceberg), novamente o governo monta uma operação de guerra para desestabilizar a CPI pedida pela oposição, maior ainda do que aquela montada para brigar pela manutenção da CPMF. Mas, quem sabe acaba colecionando derrota semelhante. Tudo isso, o companheiro de Garanhuns que ocupa o principal gabinete do Palácio do Planalto tem assistido com cara de paisagem, aparentemente sem esboçar qualquer reação. Quosque tandem? |