Todo final de ano a educação treme. O temor invade os colégios privados pela campanha de alguns pais por causa das notas de seus filhos. Faz que, desde a direção até o último dos colaboradores, perca o sono. Pais que durante todo o ano ignoraram a evolução acadêmica de seus filhos e de repente, com a ferocidade característica daqueles que defendem suas crias, acusam ao colégio e aos professores pelo baixo desempenho de seus pequenos. A direção dá instruções a suas coordenações para que estes pais recebam todas as explicações e justificativas possíveis. É preferível perder professores que um só aluno. Não interessa a veracidade da reclamação, o importante é que os pais sintam que a instituição não quer perder um cliente. Não interessa o desempenho do aluno, não se pretende que estude ou aprenda, o único que é importante é que o próximo ano volte a freqüentar as aulas e pague a mensalidade. Antigamente quem discutia as decisões de um professor? Ninguém, muito pelo contrário, era a palavra final, atualmente o professor é a quem mais facilmente se substitui, recebe toda a pressão. Recordo que na minha época de colégio para passar de ano tínhamos que conseguir uma média sete em cada matéria, caso não atingíssemos essa média íamos à prova final na qual era também preciso tirar um sete, se não fosse assim íamos para março quando tínhamos a última chance, motivo pelo qual estudávamos todas as férias já que a prova tinha uma dificuldade maior. Isto criava uma grande responsabilidade ao aluno e lhe dava ao estudo uma aureola de seriedade muito grande. Quem terminava seus estudos era alguém respeitado e bem preparado. Atualmente o aluno que sempre estuda e passa com um sete durante todo o ano, é o mesmo da nossa época, com as mesmas características de dedicação e pais presentes. Já os outros são motivados pelo sistema a não estudar. Por que? Porque, dependendo do colégio, há diversos métodos para permitir que o aluno que não estuda passe de ano. Quais são eles? Vejamos: Método 1: A recuperação constante, bimestre a bimestre. O aluno não estudou durante esse período, mas tem a possibilidade de tirar uma nota extra que lhe permite chegar ao fim de ano com uma média 5. Método 2: A prova final que permite ao aluno que não estudou durante todo o ano tirar uma nota com peso quatro que lhe permita chegar a uma média final de cinco. Já que peso da mesma é maior que as outras. Método 3: Em alguns colégios já se tem implantado a recuperação da recuperação. Ou seja, além da recuperação bimestral, existe a semestral e a recuperação da prova final. Todas com peso maior do que o normal. Método 4: Este é o mais utilizado, a aprovação em Conselho de Classe. Que supostamente é soberano e tem o corpo de professores para tomar decisões. Mentira. Quem toma as decisões é a direção do colégio, nunca vi nenhum coordenador ou professor realmente discutir para que seja feita justiça, para que passem somente os alunos que merecem. Aqueles que vi discutir, não ganharam nada além de não estar mais na instituição educacional no ano seguinte. Conclusão: Se está perdendo a motivação dos alunos que querem estudar e dos pais que os apóiam e desejam o melhor para eles. As instituições educacionais estão ensinando, com seus atos, não com seu discurso, que é melhor ser um estudante relapso, que um bom estudante. Aquele que é ruim passa com um cinco de média, ou um quatro e meio, ou um quatro, e se o Conselho (diretoria) assim o decide passa até reprovado em uma matéria. E quem sabe, dependendo do número de alunos que o colégio necessite matricular, podem ser também duas ou três matérias. Porque ao final o que interessa é o número de alunos sentados nas carteiras escolares e não realmente aqueles que estão interessados em aprender. Graças a Deus, ainda há alguns colégios que trabalham seriamente, mas as necessidades econômicas e de sobrevivência podem obrigá-los a começar a utilizar alguns dos métodos aqui mencionados. Se algum diretor de escola ou professor lê meu artigo, poderá saber pelos métodos que se utiliza qual é o tipo de colégio que dirige ou ensina. Já sei, antes que o digam, já sei, sou um sonhador. Estou ciente disto, mas não custa nada sonhar que o mundo pode ser mudado. Ao final essa é a função do educador, não? Ensinar aos nossos alunos que podem fazer a diferença. Que vale a pena ser honesto, decente, trabalhador, studioso, justo, etc. Ou, não? Boa semana.
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