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Morte?
19/04/2010

Esta semana morreu um tio muito querido. Foi um guerreiro em todos os sentidos, até lutou na Segunda Guerra.

Pobre vitória a da morte. Dizem que ela ganha a batalha final. Eu digo que é a grande perdedora, somente leva um saco vazio, todo o importante já não está dentro. A vida que foi vivida fica na lembrança dos que a presenciaram. A alma dos justos se eleva para outra dimensão. Que fica para a morte? Nada.

A vida se prolonga nos filhos, nos netos e bisnetos que crescerão e lhe darão vida eterna. A morte fica com o resto que se desfaz com o passar dos anos e se transforma em pó que é levado pelo vento do tempo.

Cada ser humano que nasce, chega com um jardim no qual seus pais inicialmente projetam e plantam as primeiras sementes e com o passar do tempo, cada um o vai transformando e cultivando, transformando-o na sua vida.

Alguns tratam seu jardim como algo privado e o disfrutam solitariamente, outros permitem que alguns escolhidos o visitem e se deleitem. Há alguns jardins que são descuidados, outros abandonados e poucos que são feitos para que o mundo os admire em todo seu esplendor.

No final de nossas vidas presenteamos nossos jardins aos que darão continuidade a nossa vida, eles serão os juízes de nossa obra e os que disfrutarão do que tenhamos construído. A morte não consegue ver nada disto porque os jardins são obras vivas e por isso não consegue vê-los ou levá-los.

Queria agradece-lhe ao meu tio pelo maravilhoso jardim que nos deixou como herança e dize-lhe à morte que uma vez mais ela fracassou, porque o que levou não era nosso tio, era somente uma embalagem vazia, o que era realmente importante ele deixou para nosso disfrute. Seu amor pelos filhos, netos, e sobrinhos, seu caráter, sua ânsia de ajudar aos outros, sua caridade mostrada pelo fato que na sua casa sempre tinha lugar para mais um.

Sinto pena por você morte, por não ter conseguido conhecer meu tio. Não o conheceu em vida porque ele sempre a ignorou e não o conheceu na sua morte, porque deixou o importante com a gente e lhe deu somente as sobras.

Verdadeiro guerreiro venceu até à morte porque sua vida é tão importante que contínua vivendo dentro de cada um daqueles que o conheceram.

Obrigado por cada flor que plantou em seu jardim e o cuidado com que o cultivou.

Obrigado por tê-las regado até com suas lágrimas quando foi necessário.

Obrigado por ter existido e ter ficado no coração daqueles que souberam lhe amar.

Obrigado por ter sido e ser quem é.

Obrigado, bravo guerreiro, por demostrar que até a morte pode ser vencida.

Como anda seu jardim?


Boa semana.
Ricardo Irigoyen

 
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