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Janelas abertas
18/05/2010 14:10:28
Calças compridas
Ponto de vista
22/06/2010

A literatura já se tem ocupado muito sobre este tópico e não serei eu que encontrarei um ângulo novo para o tema, mas de qualquer forma desejo expressar minha opinião.

Perante uma determinada situação, como, por exemplo, uma briga, sempre haverá mais de uma versão do acontecido. A história do supostamente agredido, daquele que alega ter sido o agressor, e as das testemunhas. Os fatos sempre são únicos e invariáveis, mas as perspectivas são sempre diferentes e geralmente confusas.

Quando penso neste tema sempre vem a minha memória o que aconteceu numa escola de São Paulo alguns anos atrás. Os donos da escola foram acusados de pedofilia, foram execrados pelos jornais e a opinião pública. A escola foi fechada, os donos foram encarcerados, a polícia montou um show. Ganharam manchetes e fotografias para que o mundo os identificasse. Anos depois, li num jornal, uma noticia quase perdida nas páginas do tabloide que informava que em realidade tudo não tinha passado de uma falsa acusação. Também mencionava que os donos do colégio tinham falido e não tinham conseguido recuperar-se emocionalmente do drama que lhes aconteceu.

Agora cada vez que leio ou assisto a uma noticia, me pergunto, será que é verdade? Nós jornalistas deveríamos ter muito cuidado antes de divulgar uma informação, ou colocar em nossas pautas informações que nos chegam por terceiros, que muitas vezes até desconhecemos. O volume de informações que circulam na internet é enorme, a veracidade comprovada da maioria é quase nula, mas as pessoas comentam. Cada dia é mais comum ouvir: - Fiquei sabendo pela internet que fulano é assim ou sicrano fez tal coisa.

Geralmente sempre estamos dispostos para ouvir uma acusação, mas ouvimos as defesas? Uma acusação bem elaborada, muitas vezes acaba com a reputação de uma pessoa e nem sequer lhe damos o benefício da dúvida. Outras vezes nos repetem tanto uma mentira que passamos a acreditar que é verdade (Goebbels falava isto na Alemanha nazista).

Em época de eleições então, isto fica exacerbado. Dá a impressão que as pessoas fazem qualquer coisa para conseguir um voto. Acredito que o mundo seria muito melhor se sempre fosse possível ouvir o ponto de vista da outra parte, a verdade é mestra em esconder-se em pequenos detalhes, que nós seres humanos somos mestres em colocá-los em lugares estratégicos de nossas histórias.

E você, meu caro leitor, pensa no ponto de vista do outro quando fala do seu?

Boa semana.

 
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